Teerã - O Irã ameaçou suspender as inspeções relâmpago da ONU em suas instalações nucleares, se o reinício das pesquisas nucleares no país for levado ao Conselho de Segurança do órgão. A ameaça foi feita depois que o Reino Unido, a França e a Alemanha desistiram dos esforços conjuntos para uma solução negociada.
O Irã removeu os lacres no centro de pesquisas nucleares para o enriquecimento de urânio na terça-feira, anunciando que retomaria a "pesquisa e desenvolvimento" nucleares com urânio, causando imediata reação dos Estados Unidos, da União Européia (UE) e da Rússia.
Diplomatas britânicos se reunirão nesta segunda-feira em Londres com seus colegas de Alemanha, França, China, Rússia e Estados Unidos para discutir a questão nuclear iraniana, segundo informações divulgadas ontempelo Ministério britânico das Relações Exteriores. Nenhum político participará do encontro, que reunirá apenas diplomatas e altos funcionários para tratar dos próximos passos após a decisão de Teerã de retomar seu programa de pesquisa nuclear, de acordo com declarações de um porta-voz do ministério.
As conversas serão a portas fechadas. A imprensa não terá acesso à reunião, nem haverá entrevista coletiva posterior.
Rice
Anteontem, a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, afirmou que o Irã deve ser levado ao CS da ONU (devido à retomada de seu programa nuclear. Rice também fez um apelo por uma reunião de emergência com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).
A secretária de Estado não revelou que tipo de sanção poderia ser adotada contra o Irã. No entanto, ela afirmou estar "profundamente preocupada" com as operações secretas iranianas e com o "perigoso desafio à comunidade internacional."
Anteriormente, o Reino Unido, a França e a Alemanha - os três países que lideram as negociações com o Irã - concordaram em levar a questão ao Conselho de Segurança.
O jornal norte-americano "The New York Times" informou ontem que o Irã "embarcou em um caminho que não pode ter outro objetivo plausível" a não ser a produção de armas nucleares.
Em seu texto, o "NYT" cobra de China e Rússia maior participação na causa e exorta ambos os países a se unirem a europeus e americanos na tentativa de pressionar o Irã a interromper seus trabalhos nucleares.