Não tenho procuração para defender os bicombustíveis, mas não dá para aceitar passivamente as baboseiras escritas e televisionadas que andam circulando ultimamente sobre esses modelos.
Refiro-me às altas constantes dos combustíveis, em particular o álcool, que nos últimos meses praticamente dobrou seus preços em Bauru graças, mais uma vez, a entressafra e o interesse maior dos usineiros em exportar do que abastecer o mercado interno. Até aí, nada que não tenhamos assistido antes.
Mas a partir do momento em se fala que, em razão da elevação do preço do álcool, a vantagem dos modelos flex desapareceu, aí sim é preciso parar para refletir. Desde quando o valor dos combustíveis é parâmetro para se avaliar se um bicombustível é viável ou não? Há quem já tenha deixado de comprar um modelo com essa tecnologia para ter na garagem um monocombustível.
Sinceramente, tais argumentos estão longe de ser racionais. E por várias razões. Primeiro porque os flex, além de serem os mais valorizados do mercado atual, tem os melhores valores de revenda. E segundo porque sua maior vantagem reside no fato de seus donos terem liberdade para escolher qual combustível colocar no tanque, podendo fugir de oscilações de preços que levaram o valor do álcool à estratosfera e, principalmente, não correndo o risco de ficar nas mãos dos “temperamentais” usineiros.
Para resumir. Só não tem - ou não quer ter - um flex quem não se informou direito sobre a amplitude dessa tecnologia única no mundo que os brasileiros, por precipitação, tem a coragem de dispensar.