A Embraer, principal empresa aeroespacial brasileira, está impedida de vender aviões para o Irã, país que Washington coloca na lista dos malvados que incluía o Iraque e ainda tem a Coréia do Norte. O governo norte-americano pode legalmente vetar exportações de materiais “sensíveis” para países por ele considerados idem. E isso inclui a reexportação do material, como um avião com um componente eletrônico americano.
Apesar de serem civis, os bem-sucedidos jatos regionais da Embraer têm tecnologia sofisticada, parte dela “made in USA”, que podem ser consideradas “duais”, capazes de uso civil e militar. Logo, os EUA vetam a exportações dos aviões civis da Embraer para o Irã. As peças americanas chegam no Brasil com um aviso: não vendam a fulano ou a sicrano.
A Venezuela também está na lista de países que não podem receber “materiais sensíveis”. A política americana é de impedir toda e qualquer venda de material bélico para Hugo Chávez, mesmo que seja de algo com pouco potencial ofensivo.
Parte das pressões norte-americanas é de origem política, parte comercial. Também foram contra a compra de um desses mesmos aviões, o ALX Super Tucano, pela Colômbia.
Mas o Super Tucano, que a Força Aérea Brasileira (FAB) está começando a usar na Amazônia, é o avião ideal para a região, projetado para sobreviver ao hostil clima equatorial sem prejudicar sua sofisticada eletrônica, e capaz tanto de abater aviões da guerrilha narcotraficante como bombardear e metralhar suas bases.
Já o AMX-T é uma versão mais moderna e também adaptada para treinamento do avião de ataque AMX, usado no Kosovo em 1999 pela força aérea italiana. Chávez quer comprar 12 AMX-T e 24 ALX Super Tucano.
Recuo e avanço
Depois de informar aos interlocutores americanos que “não pode aceitar este tipo de coisa”, o governo brasileiro disse anteontem que não irá intervir na questão da pressão dos EUA para que a Embraer não venda aviões à Venezuela: “Estamos deixando a Embraer resolver neste primeiro momento”, afirmou o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia.
Já a Espanha anunciou que irá prosseguir com a venda de 12 aviões militares com partes norte-americanas à Venezuela, apesar da tentativa dos EUA de impedirem o negócio. O governo de George W. Bush decidiu negar as licenças necessárias para construir os aviões que a Espanha vendeu à Venezuela, informou a vice-primeira-ministra Maria Teresa Fernandez de la Vega.
A opção para a Espanha será substituir as partes norte-americanas por européias, o que acarretaria custos não calculados.
*Com Folhapress