Islamabad - O governo do Paquistão convocou ontem o embaixador dos EUA em Islamabad, Ryan Crocker, para protestar formalmente contra o bombardeio que deixou ontem 18 civis mortos e que, aparentemente, tinha como alvo o número dois da Al-Qaeda e braço direito de Ossama Bin Laden, Ayman al Zawahiri.
A porta-voz do Ministério de Exteriores paquistanês, Tasneem Aslam, explicou que será dito ao representante do governo de Washington que este tipo de ação não pode se repetir no futuro. O governo paquistanês já tinha condenado os bombardeios dos EUA em seu território pela manhã, em entrevista coletiva.
Apesar de vários meios de comunicação norte-americanos informaram que o egípcio Al Zawahiri pode estar entre as vítimas do ataque aéreo lançado por um avião da CIA em uma região tribal paquistanesa (Damadola, na zona tribal de Bajur), perto da fronteira com o Afeganistão, fontes paquistanesas afirmam ser impossível confirmar a morte.
“Tudo o que sabemos é que as cadeias americanas dizem que aviões dos EUA atacaram alvos de supostos membros da Al-Qaeda escondidos na zona tribal do Paquistão mas não sabemos da presença de Zawahiri ou de sua morte em território paquistanês”, disse ontem o ministro paquistanês da Informação, Sheikh Rashid Ahmed.
“Estamos investigando o incidente para chegar a uma conclusão”, continuou. No entanto, fontes dos serviços de inteligência paquistaneses garantiram que ele não estava na região quando aconteceu o bombardeio, que matou pelo menos cinco crianças e algumas mulheres.
O ataque de ontem em Damadola foi realizado por um avião teleguiado Predator da Agência Central de Inteligência (CIA) desde o Afeganistão, que teria lançado pelo menos dez mísseis, segundo a rede de televisão americana NBC.
O porta-voz das tropas americanas no Afeganistão, tenente-coronel Jerry O'Hara, chegou a rejeitar o envolvimento das forças de seu país nesse ataque.