Bairros

Em 20 anos, Bauru não terá água potável

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 3 min

A afirmação é pessimista, mas é extamente o que pode ocorrer se a cidade não começar a discutir já o que fazer para recuperar seus rios e córregos, especialmente os responsáveis pelo abastecimento de água do município.

A previsão é do secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Barbieri, para quem a degradação dos rios e córregos da cidade pode levar a um colapso no abastecimento de água dentro de duas décadas. Barbieri, no entanto, é considerado "muito otimista" pelo coordenador do Fórum Pró-Batalha, David Geraldo Pompei, para quem o problema de falta de água potável deve ser sentido pelo município em no máximo dez anos.

O problema, no entanto, para Barbieri, tem solução, mas é preciso mobilização de todos para reverter esse quadro alarmante.

Barbieri terá um quadro mais efetivo da situação do município quando a Secretaria de Meio Ambiente (Semma) concluir o mapeamento da fauna e flora da cidade, que está em andamento.

Já de olho na previsão de falta de abastacimento de água, que pode ser provocado em parte pela degradação do meio ambiente, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) instalou dez quilômetros de interceptores de esgoto em um ano e organizações não-governamentais, apesar dos recursos escassos, lutam para revitalizar áreas degradas e oferecer noções de educação ambiental para a sociedade.

Porém, a situação ainda está muito longe do ideal, por conseqüência da preocupação tardia do poder público com o meio ambiente e por falta de iniciativa da sociedade civil e dos empresários de Bauru.

Muitos podem questionar esta afirmação argumentando que pagam impostos e que é dever do poder público resolver estas questões. Mas de nada adianta a implantação de projetos e mais projetos se o lixo continuar sendo varrido para o bueiro.

Investimentos

As medidas para que a revitalização do meio ambiente se concretize não são simples. É necessário investir em infra-estrutura e educação.

No entanto, de acordo com especialistas, se todos os córregos e rios de Bauru tivessem interceptores de esgoto que centralizassem os dejetos em uma estação de tratamento, se a sociedade civil auxiliasse no plantio de mudas e na fiscalização destas mudas e se os empresários se conscientizassem da importância de preservar o meio ambiente, rios e córregos da cidade poderiam voltar a ter vida aquática em menos de seis meses.

A primeira etapa para recuperar rios e córregos e garantir água potável para as futuras gerações já está sendo realizada, mesmo que tardiamente, pelo DAE: a instalação de interceptores de esgoto, que captam os dejetos de uma região e lançam em um trecho mais adiante do rio Bauru.

Apesar de parecer uma medida paliativa, pois apenas o trecho com interceptores é poupado, isto é parte de um projeto muito maior.

O segundo passo é a construção de uma estação de tratamento de esgoto, que, canalizando os dejetos, devolveria água límpida para o rio Bauru.

Na seqüência, vem o trabalho da Secretaria de Meio Ambiente (Semma), das ONG’s ambientais, como o Instituto Ambiental Vidágua e o Fórum Pró-Batalha, e da sociedade civil fazendo a revitalização das margens dos rios e córregos com o plantio de mata ciliar e a conscientização e educação ambiental das pessoas para auxiliar no plantio e na fiscalização das áreas recuperadas.

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