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População cobra a instalação de 3 mil pontos de luz em Bauru

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A dona de casa Maria de Lourdes deixou a cidade de São Paulo com esperança de levar uma vida mais segura em Bauru. Há dois meses na cidade, ela ainda convive com medo. Comprou uma casa na Vila Pacífico, mas os postes da rua não têm ponto de luz. O pedido de iluminação pública protocolado pela família dela consta na relação que soma três mil reivindicações. O número representa quase 10% da rede total instalada no município, de 33 mil pontos.

“Me arrependi de ter comprado aqui. A faculdade da minha filha nem começou e já estou preocupada”, comenta. Os reflexos da iluminação precária frente à segurança pública e a grande demanda registrada também angustiam o Secretário Municipal de Obras, Leandro Joaquim. “Parece uma questão simples, mas não é. É um problema social, de qualidade de vida”, diz.

Ele sinaliza três pontos como entraves para a resolução de pendências. Estão entre eles o embate jurídico e a interface entre a administração municipal e a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Joaquim afirma que a empresa nem sempre responde com a velocidade desejada diante de pedidos encaminhados.

Já a CPFL se diz surpresa com a colocação. Afirma disponibilizar site específico para as prefeituras encaminharem solicitações, sendo que a demanda é acompanhada pelo gerente de contas do poder público.

Mas existe ainda a questão administrativa financeira, a outra amarra para o poder público municipal. Neste ano, existem recursos disponíveis para instalar mil dos três mil pontos, dependendo da disponibilidade da CPFL, informa Joaquim. O custo de cada poste está orçado em R$ 1 mil, já o valor estimado para cada ponto de luz (com braço de metal, luminária, lâmpada e reator) varia entre R$ 300,00 e R$ 350,00.

Custos

A ampliação da rede é responsabilidade da empresa, confirma o gerente de contas do poder público da CPFL, José Roberto Andrade. Contrariando queixas de munícipes, ele diz que qualquer imóvel é atendido mesmo distante ou isolado, desde que o endereço seja reconhecido pela prefeitura e o pedido feito. Já os custos do braço de luz recaem sobre a administração pública municipal.

É ela quem terá de arcar com a instalação dos pontos de luz. Para tanto, o orçamento prevê recursos da ordem de R$ 300 mil. “A ampliação é de 10% (da rede total). Os pedidos foram se acumulando ao longo de uma década. A última grande ampliação foi feita pelo Tuga, em 1988. Dá para acabar com a demanda em 3 anos”, diz o titular da Obras.

De acordo com ele, os loteamentos antigos ainda não urbanizados concentram grande parte dos problemas. Eles foram autorizados sem que as loteadoras garantissem infra-estrutura. Também constam como prioritários bairros como por exemplo Jardim Tangarás, Parque Santa Edwirges, Ferradura Mirim, Jardim Solange e Águas Virtuosas.

O último bairro sedia a casa própria do bombeiro José Carlos Moraes. Mas em função da falta de energia, ele preferiu locar o imóvel e transferir-se com a família para o Jardim Redentor. “É difícil viver lá com mulher e filhos. Eu andava de lanterna. É injusto porque eu pago aluguel. Pelo menos tenho essa condição”, conclui.

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