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Funcionário do Senado atira rojão contra restaurante dos senadores

Por Alceu Luís Castilho | Correspondente do Jornal da Cidade em Brasília
| Tempo de leitura: 2 min

Um motorista da gráfica do Senado desceu de uma Kombi branca, na manhã de quinta-feira, e disparou um rojão contra o restaurante dos senadores. O atentado foi presenciado pelas câmeras internas do Congresso e motivou uma perseguição ao funcionário pelas ruas laterais. Preso em frente do Anexo 1, ele foi encaminhado à Polícia Civil do Distrito Federal e aguarda a conclusão do inquérito. O caso foi simplesmente omitido da imprensa, nos últimos cinco dias, pela Polícia do Senado e pela Secretaria de Comunicação Social.

No local, numa das laterais do Senado, há uma portaria. Logo após ela está o restaurante, freqüentado por senadores e funcionários de gabinete. Não houve feridos. As pessoas que passavam pelo local ficaram assustadas com o barulho da explosão e a fumaça. Os policiais logo saíram à busca do motorista e o detiveram em flagrante em poucos minutos. Começava a operação-abafa.

A reportagem confirmou o caso com o próprio diretor-geral da Secretaria de Segurança Legislativa (Polícia do Senado), Pedro Ricardo Araújo Carvalho. Ele tentou minimizar o episódio, dizendo que a bomba era uma “cabeça-de-nego”, segundo ele uma “bombinha junina” que em alguns casos “pode ser comprada por crianças”. “Não aconteceu nada”, afirmou.

Mesmo o rojão “cabeça-de-nego”, porém, não é tão inofensivo. Times do Campeonato Brasileiro já foram punidos com suspensão de campo porque seus torcedores atiraram a bomba no gramado. Testemunhas ouvidas pela reportagem, porém, que não quiseram se identificar pois são funcionários do Senado, disseram que não se tratava de “cabeça-de-nego”, mas um rojão mais potente.

Carvalho, sempre reticente ao tratar do caso, disse que o acusado foi preso e “encaminhado à Justiça” - o que sugere que seu advogado teria obtido um habeas corpus. O policial contou apenas que ele era de Brasília, omitindo o “detalhe” de que é funcionário do Senado, mais precisamente da gráfica. O motorista, branco e na faixa dos 30 anos, é funcionário terceirizado do Congresso. Na portaria da gráfica, dava apenas “bom dia” e “boa noite”. Chama-se Charles.

O chefe da Polícia do Senado disse que ele foi preso, mas está agora “à disposição da Justiça”. Ele esteve após a detenção na Coordenação de Polícia Especializada (CPE), da Polícia Civil do Distrito Federal, onde se abriu um inquérito e foram verificados seus antecedentes criminais e o rotineiro exame do Instituto Médico Legal (IML), para a verificação de sua integridade física. Fontes da CPE confirmaram a passagem de Charles pelo local. A Polícia Civil do Senado tem autonomia para fazer um inquérito.

Ninguém informou o nome completo de Charles nem qual teria sido sua motivação para o atentado. Carvalho disse que, assim que for concluído o inquérito, “o próprio site do Senado informará sobre o caso”. Na Secretaria de Comunicação Social do Senado, o chefe interino disse que estava de férias na quinta-feira e nem tinha ficado sabendo do episódio. No fim do ano, o então deputado José Dirceu foi vítima de uma bengalada nos corredores do Congresso, e a cena ganhou destaque em toda a mídia.

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