Reveladas ontem pelo JC, as divergências entre o comando do Departamento de Polícia Judiciária-4 (Deinter-4) e a Delegacia Seccional chegaram a São Paulo.O delegado-geral da Polícia Civil, Marco Antônio Desgualdo, informou que acompanha as alterações implementadas pelo diretor do Deinter-4, que resultaram na crise.
Na função desde o final de setembro do ano passado, o diretor do Deinter-4, Roberto de Melo Annibal, realocou funcionários e delegados de Bauru. Da maneira como foi estabelecida, a medida provocou constrangimentos. A gota d’água, porém, estava por vir.
Caiu anteontem, quando uma fiscalização em desmanches em Bauru contou com o apoio de policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e da 3.ª Divisão de Investigações sobre Furto e Roubo de Veículos e Cargas (Divecar)
Mas apesar de parte dos delegados da cidade demonstrarem surpresa, para Desgulado a iniciativa é normal. De acordo com o delegado-geral, todos os diretores de Deinter estão solicitando a participação órgãos como o Deic, Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) e Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) para operações especiais.
Ao retomar as atividades ontem, após 15 dias em férias, Desgualdo também descartou ter recebido qualquer pedido para substituir o delegado seccional de Bauru. Disse que assunto não foi nem mesmo cogitado nas reuniões que participou do Conselho da Polícia Civil. Realizada às quartas-feiras, ela reúne todos os diretores de departamentos em torno de assuntos pertinentes à polícia.
Troca
O diretor do Deinter-4, Roberto de Melo Annibal já havia informado ao JC que não tinha encaminhado ao comando-geral representação solicitando a substituição na Seccional. Num tom oposto ao adotado anteontem, disse de modo cordial que, inclusive, considera o delegado seccional Antônio Ângelo Ciocca uma boa pessoa. Também reiterou em diversas ocasiões que as mudanças desagradaram alguns poucos, mas satisfizeram outros.
Os desgostosos seriam funcionários que não cumpriam jornada mínima de 40 horas semanais. Alterações de natureza semelhantes estariam sendo estudadas também em municípios como Assis e Ourinhos. “A toda mudança existe uma reação”, analisa. Garante que as medidas adotadas visam transformar Bauru num exemplo para a região.
“O que eu quero é trabalhar. O (delegado) Seccional é boa pessoa (mas tem correções a fazer). Nunca faltou ética, eu conversei com ele sobre o inchaço (de funcionários) da sede (da Seccional) na reunião de final do ano. Se a lei me atribui a prerrogativa, eu faço (as alterações necessárias)”, reitera. O delegado seccional não foi encontrado para comentar o assunto, que ontem mobilizou o meio policial. No entanto, oficialmente, os delegados consultados optaram pelo silêncio.
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Estopim
Mais uma vez, o diretor do Deinter-4, Roberto de Melo Annibal, foi enfático em entrevista concendida ontem ao afirmar que a competência da fiscalização de desmanches, como o realizado anteontem em Bauru com o apoio do Deic e do Divecar, é da Delegacia Seccional, que pode se valer do trabalho da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), por exemplo.
Extra-oficialmente, a reportagem foi informada de que as afirmações dele estariam respaldadas por decreto. Mas o único localizado em pesquisa é o de número 36.441, que subordina à DIG o registro e fiscalização dos estabelecimentos de desmanche de veículos. A divergência, aparentemente burocrática, também serviu como estopim para o mal-estar retratado na edição de ontem do JC, mas iniciado anteriormente.
O titular da DIG, J.J. Cardia, também não foi encontrado para comentar a questão. No entanto, conforme o JC apurou, em ocasiões anteriores, ele mesmo teria desencadeado operações que focaram justamente os mesmos desmanches visitados anteontem. Os responsáveis pelos estabelecimentos seriam velhos conhecidos da polícia. Anteontem três foram detidos, mas informações extra-oficiais davam conta de que já estariam em liberdade.
A DIG também não é mais responsável pelo Grupo Especial Anti-Seqüestro, atribuição delegada à delegacia na gestão anterior a de Annibal. O trabalho voltou a ser subordinado diretamente ao Deinter-4 e será coordenado pelo delegado Doniseti José Pinezi. Ele assumiu a Unidade de Inteligência da diretoria e contará com apoio de investigadores, que acumulam função em outras delegacias.