O vaivém tradicional do Centro da cidade esconde uma armadilha. Ao invés de espantar autores de furto e roubo de veículos, os atrai. Não é à-toa que a maior incidência dos delitos é registrada entre as avenidas Duque de Caxias e Rodrigues Alves.
Enquanto o sol está a pino, são mais freqüentes os casos de furto. À noite, quem entra em cena é o roubo, delito que aumentou 24% entre 2004 e 2005. No mês passado, os casos – também envolvendo furtos - subiram na região do 3º Distrito Policial, que atende ocorrências de bairros centrais e da zona sul. Extra-oficialmente, a média teria ficado em 32 registros, quando normalmente não ultrapassa os 18.
Sem dispor de estatísticas, o delegado titular do 3º DP, Marcelo Haddad, confirma o aumento, mas ressalta queda a partir deste mês. “Fizemos uma reunião com o comando da 1ª Companhia da Polícia Militar (PM) para intensificar o policiamento preventivo através da Polícia Civil e da PM. O Centro tem muita gente, muitas lojas e bancos”, comenta. Haddad ressalta, porém, que vários veículos foram recuperados.
Conforme o JC veiculou em matérias anteriores, mais de 500 teriam sido localizados no ano passado na área da Seccional, que inclui Bauru mais 18 outros municípios. Em alguns casos, o veículo é encontrado intacto. Uma universitária, que pediu para ter o nome preservado, teve sorte. O veículo dela, furtado na avenida Duque de Caxias, foi localizado em perfeito estado três dias após o registro da ocorrência.
Como neste período, ela “bateu cartão” numa igreja, atribui o feito a um milagre. “A polícia disse que é muito difícil achar assim (com todos os assessórios e objetos pessoais) depois de três dias”, conta. Normalmente, os carros recuperados voltam para casa em 24 horas ou 48 horas. Na maior parte das vezes, depenado. Mas para evitar o desgosto, algumas medidas de segurança são necessárias.
Seguro
Entre elas, não deixar o veículo aberto mesmo que por pouco tempo, em locais sem iluminação ou com objetos pessoais e toca-CDs expostos. O alerta é do comandante interino do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI), major José Humberto Nardo. Ele confirma a preocupação com o delito e informa que todo o efetivo da PM está atento para inibir a ocorrência no dia-a-dia.
Os condutores podem ajudar a diminuir a incidência adotando dispositivo de segurança como alarme ou trava, reitera o titular do 3º DP. Segundo Haddad, motoristas se tornam suscetíveis a roubo quando namoram em local ermo ou param para conversar com desconhecidos em cruzamentos de ruas, especialmente à noite. “Atenção ao parar em cruzamentos”, alerta o delegado.
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Fiscalizações
Dos 25 desmanches cadastrados em Bauru, 13 estão irregulares e não apresentaram alvará para funcionamento, segundo o coordenador das Unidades de Inteligência Deinter-4, Doniseti José Pinezi.
No entanto, a Secretaria Municipal de Planejamento afirma manter a fiscalização nos estabelecimentos que trabalham com ferro-velho e peças usadas. Por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, afirma também participar de fiscalizações conjuntas com a Polícia Civil. O órgão informa ainda que quando é verificada a ausência de documentação, um prazo para regularização do problema é estabelecido.
Caso persista, o comerciante fica sujeito a multa de R$ 300,00 e pode ser obrigado a fechar as portas. A prefeitura ressalta que a emissão do alvará depende de liberação por parte da Polícia Civil, que autoriza o funcionamento. Mas em muitos casos, esses mesmos estabelecimentos mantêm negócios com quem furta veículos. Normalmente, o autor do delito pratica a atividade com o auxílio de uma chave mixa, muitas vezes confeccionadas de modo caseiro.
Um deles, ao ser preso recentemente, demonstrou sua experiência aos policiais ao abrir, mesmo algemado, dois veículos.