Tribuna do Leitor

Vamos conversar?


| Tempo de leitura: 4 min

Olá, como vai, tudo bem? E as festas? Legal, não é! Talvez o único problema seja equacionar as despesas que agora se somam ao IPVA, ao IPTU, ao saldo do cheque especial, do cartão de crédito e mais alguma coisinha; mas a gente tira de letra. Por falar nisso, você já viu aquela propaganda tentadora daquele produto não menos tentador e que é a última geração do setor? É tão sofisticado que cabe na palma da mão; e a apresentadora, aquela garota surrealista, insinuante, olha em nossos olhos e sorri, demonstrando uma intimidade comprometedora; de repente, o produto que ela anuncia passa a ser uma necessidade premente, até já sei onde irei utilizá-lo...

Fomos pegos pela mensagem subliminar da propaganda; a bela sala funcional; o ambiente a transmitir tranqüilidade, sofisticado, a música quase imperceptível mas, no fundo, lasciva, o jogo de luz ressaltando o objeto; pois, de qualquer ângulo que você olhe ele está no centro de seu campo de visão. Há também aquela mais agressiva, em que os apresentadores dão um toque de jovialidade, atirando-se sobre os produtos, agressivamente retirando as etiquetas e só faltando dizer: Compra ou morra! (Não sei se é essa que você imaginou, mas viu como ela se instalou em seu subconsciente???) Vista a propaganda, o objeto apresentado torna-se o “objeto dos desejos”; sua pressão sobe, a ansiedade martela em seu cérebro, torna-se constante a afirmativa: Preciso tê-lo... Preciso tê-lo... Eu preciso tê-looooo! A propaganda delineando um ambiente, um estilo de vida nem sempre real, dando uma falsa sensação de facilidades (vou vender porque gosto de você), de que os juros são irrisórios, de que você comprando o objeto dos desejos seu “status” de vida sobressai diante da sua comunidade, implantou em nosso subconsciente o gérmen da credulidade, verdadeiro abuso contra o consumidor, pois induz a erro! (Aí está a inadimplência a comprovar.) Muito bem, você poderá dizer, de que forma eu me defendo? Simples! Questione-se e, ao final, faça a pergunta capital: “Se”.

Quantas compras desnecessárias, quantas atitudes que tomamos e depois nos arrependemos; e, tudo porque não fomos racionais, apenas fomos emocionais e deixamos nos levar pela euforia do momento. Antes de tomar uma atitude, pergunte-se: Por que estou tomando essa atitude? É o momento apropriado? Qual a melhor alternativa? “Se” tomá-la agora, que conseqüências dela advirão? No caso de uma compra, siga o mesmo caminho, perguntando-se: Esse produto me é necessário? Por quê? Não haverá um sucedâneo que tenha a mesma qualidade e por um preço menor? Essa compra é inadiável? Não estou sendo compulsivo? Qual a melhor opção de compra, será à vista ou a prazo? Qual o impacto sobre meu orçamento familiar? “Se” eu deixar essa compra para mais tarde, que prejuízo terei? No mercado das transacionais vale muito, mas muito mesmo, você ter o dinheiro “na mão” do que se deixar iludir pela euforia da ciranda consumista; depois, o que custa nos contermos? Fuja das novidades, não queira ser o primeiro a ter, muitas vezes, puro modismo, para satisfazer o ego, deixe que outros testem, que os preços cheguem a um patamar mais palatável, com a tecnologia aplicada melhor estabilizada, mais confiável.

Quer um exemplo? Veja as liquidações pós datas comemorativas (dia da..., dia do... etc.) quando os preços caem 50% ou mais dos praticados anteriormente, alguém gosta de nariz vermelho, pagou demais. Os equipamentos de última geração passam por atualizações; e, quem comprou no lançamento ficou com o seu desatualizado pois o fabricante não se sente na obrigação de atualizá-los; agora, estamos vendo “ofertas” tentadoras para televisões, sendo que em breve em nosso País estaremos usando a transmissão digital, talvez em um futuro próximo você esteja usando o campo magnético gerado pela corrente elétrica para uso da Internet e outras transmissões. Bem, nós somos os consumidores, objeto principal do comércio; logo, o mando do jogo está em nossas mãos, o poder de barganha é nosso, se não aceitamos as regras que querem nos impor, não haverá transação; por isso, exija e exerça seus direitos, exija preços compatíveis, pesquise, compare, exija qualidade, lembre-se que sem a anuência do consumidor não haverá negócios, lembre-se que no preço que você paga já está embutida a carga tributária, exija fiscalização, exija nota fiscal, não seja conivente; lembre-se, um dos seus direitos é reclamar e está cheio de órgãos especializados para recebê-las, não o fazemos às vezes, por puro comodismo, para não sermos indelicados; mas, o combate a essa corrupção que grassa no País começa por nós, o consumidor; portanto, não seja um consumidor compulsivo, seja um consumidor consciente dos seus direitos. Exerça-os! Ah... você se lembra daquela propaganda em que...

José Carlos Dias da Silva - MT 37293

Comentários

Comentários