Em resposta à senhora Ivone, que contestou, de alguma forma, minhas considerações a respeito dessas sobras inadmissíveis do Fundef, tenho a informar que jamais fui contra a destinação desses recursos financeiros à Educação e que também não concordo com o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. Todavia, acho que o Serviço Público, a que nível o for, deve, também, fazer uma programação adequada e de acordo com a sua previsão orçamentária, tal qual uma empresa organizada, sem o que, certamente, sobrarão ou faltarão verbas para se atingir os objetivos. Isso depende tão somente de uma gestão adequada. Quanto à melhoria dos salários dos servidores da Educação, inclusive os professores, em momento algum eu demonstrei repúdio pois eu sei o quanto isso é importante.
Gostaria de deixar claro que, além de médico, sou pós-graduado em Gestão Empresarial e tenho pleno conhecimento que o maior patrimônio de uma empresa é o seu patrimônio intelectual, representado pelos seus colaboradores, antigamente denominados como seus “empregados”, e que no Serviço Público isso não é diferente, sendo os servidores públicos o seu maior e melhor patrimônio, condição essa ímpar para valorizá-los dentro dos objetivos propostos. Se tal propósito custa dinheiro, não se pode dizer, jamais, que isso é despesa pois, na realidade, isso é investimento ... resta somente convencer os políticos que administram todo o contexto municipal, estadual e federal!...
Quanto à Educação Pública, acho que deixei claro que o dinheiro, denominado como “sobra”, deveria ser melhor investido, não somente em salários, como, também, em programas de capacitação e modernização das escolas. Eu tenho pleno conhecimento do quanto o servidor público, em todos os níveis, é sub-valorizado nos dias atuais e, na verdade, eu também sinto muita tristeza em ter que matricular meus filhos em escolas privadas quando eu próprio fui formado em escolas públicas, desde o nosso saudoso “Instituto de Educação Ernesto Monte” até à “Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil (Praia Vermelha)”, sem custos que, hoje, são, cada vez mais, inacessíveis aos “simples mortais”.
Da minha época, alguns fizeram cursos universitários, outros são professores de escolas públicas, outros são comerciantes, outros já mudaram de Bauru (tal como a irmã do Pelé ... a Lúcia que estudou comigo e na mesma classe no nosso IEEM), alguns foram bem sucedidos e outros nem tanto, porém entre nós nunca houve discriminação. A mesma coisa aconteceu na Faculdade de Medicina. Gostaria de dizer que, como estudante de escola pública até a graduação médica, sempre fui bom aluno e tenho orgulho disso pois fui aprovado numa das melhores Faculdades de Medicina do Brasil sem precisar ficar garimpando “cursinhos”, graças a formação que os meus mestres me deram nas escolas públicas! Depois de formado médico, e de volta a Bauru, tive a maior satisfação que um ex-aluno pode ter na vida, ou seja, procurado pelos seus antigos mestres agora com a obrigação de retribuir os ensinamentos e conhecimentos obtidos de uma forma prática, agora como médico. Ser respeitado e reconhecido, profissionalmente, por aqueles que nos ensinaram todas as bases do conhecimento para chegar onde chegamos é a maior conquista profissional no meu entendimento.
Por isso, D. Ivone, eu acho que os professores são as molas mestres de tudo, o resto é conseqüência. Eu era feliz e não sabia !... Desculpe-me se não fui claro...
Lindolfo Pinheiro - médico - CRM 21691