Tribuna do Leitor

Fantasma do material escolar


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Se por um lado os filhos e alunos tanto das escolas particulares como públicas estão felizes, ansiosamente esperando o retorno às aulas quando ocorrerá o reencontro de colegas, a formação de novas amizades e expectativas em relação aos professores das novas séries; os pais, também contentes e cientes do “sossego” que doravante terão pelo retorno dos filhos à rotina, ao mesmo tempo sentem-se agoniados com os compromissos que antevêem com a compra do material escolar dos mesmos que a cada ano se torna mais caro.

E anualmente esta agonia se repete porque na maioria das vezes as compras oneram demasiadamente o orçamento familiar, principalmente àqueles que têm mais de um filho na escola, levando os pais à aquisição pelos crediários ou cartões em prestações. A compra do material escolar, tão esperada, motivo de orgulho e auto-realização para a criança, torna-se um pesadelo para os pais e outros responsáveis. Inegavelmente, o material escolar é necessário por ser um instrumento de trabalho ao aluno, mas discutível quanto a dois pontos: primeiro, se há necessidade de sua renovação total anualmente sem o reaproveitamento de parte, principalmente de alguns livros como acontece um outros países e, segundo, se há necessidade de ser adquirido todo de uma só vez ou gradativamente no decorrer do ano letivo à medida que o aluno precisar. Pela experiência acumulada ao longo dos anos, sei que muito material pode ser reaproveitado como em especial os livros escolares podendo passar entre irmãos ou não usando-se de criatividade pedagógica e de que vale mais comprar aos poucos do que tudo de uma vez podendo ocorrer a sobra de uma parte.

Como a palavra do professor é lei para a criança que segue à risca o princípio de que “se o professor pediu é para comprar”, tornando-se questão de honra para esta, considero muito importante que os diretores e coordenadores pedagógicos das escolas atentem neste início de ano letivo para o” problema” do material escolar. É necessário que, sem interferência ou imposição de limitações aos professores em respeito à sua autonomia didático-pedagógica, conscientizem-nos do pesado ônus que o material escolar está representando na atualidade para as classes média e pobre, incentivando-os à parcimônia na adoção do mesmo em relação aos seus futuros alunos. É necessário que as “listas” sejam avaliadas e discutidas conjuntamente antes de enviadas aos pais. Porque não está nada fácil manter hoje em dia os filhos nas escolas sejam públicas ou particulares!

Joaquim Eliseo Mendes - professor

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