Internacional

Irmã de refém brasileiro fala em omissão de Lula

Folhapress
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Brasília - A irmã do engenheiro brasileiro João José de Vasconcellos Júnior, seqüestrado no Iraque em 19 de janeiro de 2005, afirmou ontem que “faltou empenho” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso, já que o presidente nunca se pronunciou publicamente a respeito.

Segundo ela, a “figura pessoal” de Lula fez falta e o presidente demonstrou desprezo pelo caso. De acordo com a irmã do brasileiro, a família esperava uma manifestação “de caráter humanitário” de Lula. “Foi o único pedido que fizemos ao presidente. Se, nesses 365 dias, ele tivesse agido com o caráter humanitário que tinha quando era metalúrgico, teria feito um apelo pessoal pela libertação de meu irmão”.

A irmã do engenheiro afirma ainda que outra queixa da família é não ter sido recebida no Palácio do Planalto. “Logo que meu irmão foi seqüestrado, pedimos uma audiência com o presidente Lula e não fomos atendidos”, diz. Para ela, o governo brasileiro “perdeu uma grande oportunidade” de solucionar o caso ao não dar ouvidos ao pedido do (ex-embaixador) Itamar Franco, de que os esforços se concentrassem na Itália”.

Segundo ela, Itamar foi acionado por parentes do engenheiro. Para Isabel, a Itália seria o país mais adequado para prestar auxílio ao Brasil no período do seqüestro. “O serviço secreto italiano era o único que tinha resgatado reféns, até mesmo, como se soube posteriormente, contrariando normas do Exército americano. Em nosso entendimento e no de Itamar, era o serviço com maior poder de auxílio ao Brasil. Não sei por que o governo brasileiro não deu a menor importância a isso na época”, afirma.

Vasconcellos trabalhava no Iraque na construção de uma usina elétrica pela construtora Norberto Odebrecht. Ele desapareceu em 19 de janeiro quando radicais islâmicos atacaram o veículo em que viajava perto da cidade de Baiji, a 180 quilômetros de Bagdá. A ação conjunta foi reivindicada pelos grupos Brigadas Mujahidin e Exército de Ansar al Sunna. No dia em que o brasileiro desapareceu, os dois funcionários da Janusian que o acompanhavam, um britânico e um iraquiano, foram mortos por rebeldes.

Em comunicado divulgado ontem, o Itamaraty informa que “foi criado grupo para monitorar e avaliar a evolução dos acontecimentos, integrado por funcionários do Itamaraty, do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e da Agência Brasileira de Inteligência”.

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Emboscada

Bagdá - Homens armados mataram ao menos dez seguranças particulares e seqüestraram um engenheiro do Maláui ontem em uma emboscada a oeste de Bagdá, informou a polícia. O comboio de quatro carros foi atacado no distrito de Jami’a, causando uma troca de tiros entre rebeldes e os seguranças, que utilizavam trajes civis, segundo o capitão de polícia Qassim Hussein.

Segundo Hussein, ao menos dez guarda-costas morreram, enquanto outro segurança e um civil ficaram feridos. Segundo a polícia, um engenheiro do Maláui que trabalhava para a empresa de telefonia Iraqna foi seqüestrado.

Em outro incidente ontem, dois jornalistas iraquianos foram atingidos por tiros ao passar de carro pela mesma área, a caminho da sede de um jornal iraquiano, de acordo com o capitão de polícia. Os dois repórteres permanecem hospitalizados.

Corpos de três homens - entre eles, Sadad al Batah, líder tribal sunita e parente do ministro da Defesa iraquiano, Saadoun al Dulaimi - foram encontrados com marcas de tiros na cabeça em um apartamento em Bagdá, segundo a polícia. Al Batah foi morto ao lado de seu sobrinho e de uma terceira pessoa identificada como membro do Exército iraquiano, cuja identidade a polícia não revelou por questões de segurança.

A polícia iraquiana trabalha para assegurar a libertação da jornalista americana Jill Carroll, 28 anos, seqüestrada em 7 de janeiro em Bagdá. Ontem, a rede de TV árabe Al Jazira exibiu uma fita com imagens da jornalista. Um vídeo silencioso de cerca de 20 segundos de duração, que mostra Carroll com fisionomia pálida e cansada.

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