Cultura

Arte na geladeira

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Na geladeira, ímãs da farmácia, do disque-entrega de lanches, da pizzaria e também fotos oníricas e artísticas, coloridas ou em preto-e-branco. É o que propõe o fotógrafo Marcos Leandro, que transformou suas produções pessoais em ímãs de geladeira para presentear os amigos e também divulgar seu trabalho aos apreciadores dessa arte. A prática de vender ímãs com imagens é comum; é fácil encontrar reproduções de cartazes de filmes ou fotos de celebridades, mas ganha importância diferente ao estampar a arte de um profissional.

A paixão pela fotografia foi descoberta na faculdade de jornalismo e atualmente, iniciando o último semestre do curso, Leandro vê um promissor futuro no que era apenas um hobby. “Comecei a fotografar e participei de algumas mostras na faculdade. Gosto mais de retratos, de fotografar pessoas, e já trabalho com fotojornalismo também”, comenta. A idéia de transformar as ampliações em pequenos ímãs surgiu do desejo de que amigos e conhecedores de suas fotografias tivessem sua produção em casa.

“Para dar uma foto para cada pessoa que me pedia, com ampliação convencional, ficaria caro. Encontrei nos ímãs uma maneira de divulgar meu trabalho e ter um retorno”, conta. Entre as fotos já transformadas em peças para geladeiras e afins, estão ensaios com amigos, paisagens, flagrantes urbanos e a série inspirada na água, pela qual Leandro foi selecionado na etapa regional do Mapa Cultural Paulista. As cinco imagens escolhidas, que representam a relação entre a água e o homem, em cenários de dor e angústia, participam da final, programada para maio.

O fotógrafo destaca que não pensa em fazer da iniciativa uma forma diferente de retratar eventos profissionalmente. “Se me pedissem para fotografar uma festa infantil, por exemplo, não rolaria. Somente se houvesse uma proposta bacana, algo diferente”, analisa. Seu próximo projeto é elaborar séries de ímãs com um tema em comum. Leandro explica que muitas fotos acabam aproximando-se de outros trabalhos, criando uma inter-relação natural.

“Tenho muito material que funcionaria junto, em uma série. Já fiz cerca de 400 fotos e agora quero me aprofundar nesse aspecto. Estou pensando em fotos que falem a mesma língua; faria um tema por vez e depois passaria para outro, para não me repetir”, explica. Uma de suas primeiras séries deve ser “E na grama tinha...”. “Já tenho algumas fotos para esse tema. Quero mais pessoas, objetos, tudo na grama”, diverte-se.

Sobre a valorização de sua arte e a possibilidade de encontrar seu trabalho em geladeiras alheias, Leandro tem a resposta na ponta da língua. “Acho isso divertidíssimo! Cada imagem tem um significado para mim, mas pode ter outro completamente diferente para cada pessoa. Alguns amigos têm (os ímãs) e acho bacana quando vejo em suas geladeiras”, aponta.

Produção

Trabalhando com fotografia convencional ou digital, Leandro afirma não utilizar qualquer tipo de filtro ou tratamento digital em suas imagens. “Não vejo muita diferença nas fotos convencionais ou digitais, mas nunca pensei em fazer qualquer intervenção das imagens. Isso seria um trabalho artístico diferente, enquanto minha forma de expressão é mesmo a fotografia”, frisa.

Cada ímã recebe uma foto obtida na ampliação que os fotógrafos chamam de supercopião - uma prova das imagens, com quatro ou oito fotos reduzidas em uma página. Cada foto recortada é aplicada na placa de ímã adesiva. Cada peça é vendida a R$ 3,00.

Marcos Leandro pode ser contatado pelo telefone (14) 9748-9759.

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