Esta matéria trata de um drama familiar. Ontem, um garoto de 15 anos, morador no Núcleo Mary Dota, disparou um tiro contra a própria cabeça e acabou morrendo a caminho do Pronto-Socorro Municipal (PSM). Como se trata de uma tragédia, o Jornal da Cidade assume a postura de não divulgar o nome da vítima, assim como os de seus parentes, em respeito à família em luto e para atender ao pedido dos pais e irmãos do jovem.
A mãe do adolescente declarou à polícia acreditar que o filho tomou a atitude extrema de tirar a própria vida pelo recente fim do namoro e por ter sido repreendido pelo pai na noite de anteontem. Segundo consta em boletim de ocorrência, o garoto foi repreendido porque havia pichado, acompanhado de amigos, o muro de uma escola próxima à sua casa.
O garoto estava no quarto, caído ao lado do revólver - de propriedade do pai - quando a polícia chegou, após ser acionada pelos vizinhos. No momento do disparo, que ocorreu por volta das 15h, conforme o boletim de ocorrência registrado no 2º Distrito Policial de Bauru, os pais do adolescente não estavam em casa. Apenas o irmão mais velho, de 18 anos, encontrava-se na residência.
Ele acompanhou o garoto ser socorrido ao PSM na viatura da Polícia Militar (PM). A vítima chegou a ser atendida pelo médico plantonista Neuriton Alcantra, mas morreu logo em seguida. O irmão da vítima disse à reportagem do JC que seu pai buscou o adolescente na delegacia, porém não confirmou a bronca mencionada pela mãe em boletim de ocorrência. Porém, ele reiterou que a namorada do seu irmão havia rompido o relacionamento fazia um mês.
Ainda conforme o rapaz, a vítima era um garoto calmo, tinha bom relacionamento com os pais, boas notas na escola - ia cursar neste ano o segundo ano do ensino médio -, gostava muito de jogar futebol e não tinha vícios como bebida e cigarro.
“Não consigo entender por que ele fez isso. Era um irmão nota dez. Ele dizia que amava jogar futebol. Só ouvi o disparo e ...”, comentou, sem conseguir terminar a frase.
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Arma
De acordo com o delegado titular do 2.º Distrito Policial, Ronaldo Divino, caso seja confirmado que a arma não estava devidamente guardada, fora do alcance de menores de idade, o pai do garoto pode ser indiciado. “Temos que saber em quais condições essa arma foi parar nas mãos do adolescente”, completa.
Ainda segundo o delegado, o revólver, da marca Taurus, calibre 38, foi encaminhado à perícia técnica. Com ele, mais 14 cartuchos. Sobre a hipótese da morte ter sido acidental, Divino preferiu não opinar. “Primeiro temos que ouvir os familiares da vítima. Ainda não posso formar nenhum juízo de valor sobre o caso”, destaca.
O delegado ressaltou que em Bauru já foram registrados outros casos semelhantes em anos anteriores.