Nacional

Fracassa mais uma vez o acordo sobre o valor do salário mínimo

Por Julianna Sofia | Folhapress
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Brasília - Na quinta reunião para definir o novo valor do salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda (IR) das pessoas físicas, as centrais sindicais propuseram ao governo elevar o piso salarial de R$ 300,00 para R$ 350,00 a partir de abril. Para o reajuste da tabela, querem uma correção de 8%.

O governo não descartou as duas possibilidades e disse que a negociação está próxima de um desfecho. “Se fugisse completamente das nossas possibilidades, teríamos rechaçado prontamente. Vamos fazer agora todas as continhas. Agora vai depender dos estudos que vamos fazer até terça-feira”, declarou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, ex-presidente da CUT. Ficou marcada para a próxima semana uma nova reunião, com a presença do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As negociações de ontem entre governo e sindicalistas se estenderam do meio-dia até às 19h. Entre propostas, contrapropostas e sanduíches de mortadela, foram feitos vários intervalos para conversas isoladas entre cada uma das partes.

No meio da tarde, Marinho chegou a ir ao Congresso Nacional para conversar com líderes governistas sobre o encaminhamento das negociações. De lá, Marinho - que estava acompanhado do ministro Luiz Dulci (Secretário Geral da Presidência) e do ministro interino Carlos Gabas (Previdência) - seguiu para o Palácio do Planalto para tratar do assunto com Lula. O presidente convocou outros ministros - entre eles Antônio Palocci Filho (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil) - para debater a proposta das centrais sindicais. Não houve decisão.

“Agora está nas mãos do governo, que não faz acordo se não quiser. Nós já demos até as calças”, afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. Na avaliação dele, “está fechado o acordo”. “O governo entendeu que chegamos ao limite. Agora, o risco é deles”, completa o sindicalista. As centrais iniciaram as negociações sobre o mínimo e a correção do IR pedindo um aumento para R$ 400,00 e um reajuste de 13% para a tabela.

Na semana passada, recuaram para R$ 360,00 e 10%. Depois de nova rodada de negociação, colocaram novas propostas na mesa: R$ 350,00 com antecipação do aumento para março ou R$ 360,00 em maio. Ontem, voltaram a ceder e passaram a pedir que os R$ 350,00 passassem a valer a partir de abril. Para a tabela do IR, já aceitam 8% a partir de fevereiro. O presidente Lula quer a elevação do mínimo para R$ 350,00.

A avaliação do Palácio do Planalto é de que esse valor garantiria mais dividendos na corrida eleitoral deste ano. Já a correção da tabela do IR ficaria em 7%. Na negociação de ontem, o governo chegou a insistir, novamente, em separar os dois assuntos, mas as centrais se opuseram a desvinculação. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, disse que a correção da tabela do IR é importante porque beneficiará a classe média brasileira.

Pelos cálculos oficiais, o aumento do piso salarial para R$ 350,00 significa um custo adicional de R$ 4,6 bilhões neste ano. A antecipação deste valor gera, por mês, um gasto adicional de R$ 1,06 bilhão. No caso da correção de 8% do IR, a renúncia fiscal para a União seria de R$ 1,1 bilhão.

Estados e municípios também saem perdendo - em torno de R$ 900 milhões. Marinho avalia que será possível fechar um acordo na semana que vem, embora tenha dito o mesmo nas últimas reuniões com os sindicalistas. “Estamos cautelosos, mas muito próximos de um acordo. O fato de o presidente presidir a reunião é um indicativo bom”, afirmou o ministro.

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