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Material escolar de grife assusta pais

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Mochila e fichário da “Hello Kitty”, uma borracha e três blocos de folhas cor-de-rosa para “combinar”, um tubo de cola da mesma cor, etiquetas de “bichinhos”, uma lapiseira estampada com “ratinhas” e uma caixa de lápis coloridos. Essa é parte dos materiais escolares que Lívia Mendes, 9 anos, escolhia na tarde de ontem numa das livrarias de Bauru para cursar a 4.ª série do ensino fundamental. Se o que ela escolheu for comparado à lista de produtos mais simples, os “genéricos”, é até 280% mais caro.

Empolgada, a garota, acompanhada pela mãe e por mais dois irmãos mais novos, percorria as prateleiras da papelaria satisfeita, como se estivesse num parque de diversões escolhendo em qual brinquedo andar.

A situação vivida por Débora Mendes, 31 anos, mãe de Lívia e de mais duas crianças em idade escolar, provavelmente não é única. Pelo contrário, é realidade de muitos pais que enfrentam o mesmo dilema: fazer ou não o gosto dos filhos pelos produtos da “moda”. Não atender os pedidos pode resultar em cara feia, choro e muita chateação. Atendê-los, no entanto, pode custar caro, muito caro.

A diferença de preços dos chamados produtos de marca em relação aos mais simples chega a 280%. “Acho que, quem tem condições, deve dar. Faço questão de trazer os três para escolher o material que querem, pois vão usar durante o ano todo. Sai caro, mas vale à pena ver a satisfação deles em escolher, com carinho o caderno, o lápis, a borracha. Justifica todo o custo”, diz Mendes.

Ela comenta que, no ano passado, gastou cerca de R$ 600,00 em material escolar com as duas filhas. Neste ano, estima que o valor seja maior, já que seu filho de 3 anos será matriculado no ensino infantil. “Quero a bolsa do Batman”, pedia o menino à mãe enquanto ela ajudava uma das filhas a escolher um estojo.

A secretária Karin Lopes, 41, opta pelo equilíbrio. “Procuro usar a coerência. Atendo o pedido dentro daquilo que posso pagar. Quando não, faço entender que o dinheiro não vai dar e ficamos com o mais barato e ponto final”, ressalta.

Lopes é mãe de Angélica, 15 anos, que neste ano vai cursar o 1.º ano do ensino médio. A garota escolhia ao lado da prima Bárbara, 14 anos, e longe da supervisão da mãe, um bloco de folhas para fichário de “marca”. “É mais bonitinho, coloridinho e dura o ano todo”, explica a jovem, que já se preparava para o sermão da mãe. “Ela não vai gostar muito porque é mais caro, mas eu gostei e vou prometer que vou cuidar bem”, completa.

Para Lopes, o fato de atender o gosto da filha não significa que o material será bem cuidado. “Quem sabe cuidar das coisas que têm, cuida de tudo. Não é porque um artigo tem mais valor que ele vai receber mais cuidado”, observa.

O agricultor Jânio Donizeti Miranda, 44 anos, também pensa duas vezes antes de satisfazer o gosto dos filhos. Pai de duas crianças de 3 e 5 anos e de um adolescente de 14, já pensa em quanto terá de desembolsar para financiar os materiais escolares dos filhos.

Na tarde de ontem, escolhia junto com o filho, que vai cursar a 8.ª série do ensino fundamental neste ano, uma mochila. Tentava convencê-lo em optar pelo mais “em conta”. “Mas eu quero aquela de marca”, dizia o menino.

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Equilíbrio

Para o professor Joaquim Eliseu Mendes, é comum que os estudantes, especialmente crianças e adolescentes, fiquem atraídos pelos produtos de grife, já que de fato apresentam visual mais bonito, diferente e chamativo. “O jovem, dificilmente, está preocupado com o custo. Ele quer aquilo que está na onda. E assim acontece quando vai comprar o tênis, a roupa e outros acessórios”, observa. No entanto, o professor acredita que a solução está no bom senso dos pais.

“Tem que haver um equilíbrio entre a preferência do filho com a possibilidade do pai. Se o orçamento permitir, tudo bem, caso contrário, os pais têm que abrir o jogo”, diz.

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