Londres - Nos últimos anos, graças a um bem-sucedido projeto de revitalização, o rio Tâmisa já tinha recebido a visita de focas e golfinhos. Mas, ontem, foi uma baleia que deu o ar de sua graça. Virou imediatamente o assunto do dia na cidade e transformou as margens do rio num parque de diversões.
Com cinco metros e possivelmente ainda uma criança, a nariz-de-garrafa do norte - espécie que costuma nadar em águas profundas do Atlântico Norte - foi vista primeiro por volta das 10h na altura da ponte de Westminster, a área mais famosa de Londres, perto do Parlamento e do Big Ben. Ficou ali por quase uma hora. “Sabe o que é chegar para trabalhar e de repente dar de cara com uma baleia? É fantástico”, contou a polonesa Kasia Raziuk, 21 anos, que vende crepes num trailer ao pé da ponte.
A essa altura, horário do almoço, enquanto grupinhos ainda faziam plantão esperando uma nova aparição, a baleia já tinha subido o rio. A reportagem seguiu atrás dela. Foi encontrá-la poucos quilômetros adiante, entre as pontes Albert e Chelsea.
Centenas de curiosos ocupavam as margens do rio. Helicópteros de emissoras de TV sobrevoavam a área. Fotógrafos profissionais se amontoavam. O trânsito ficou lento, com carros subindo no meio-fio e motoristas esbaforidos saindo para ver o mamífero. No meio do rio, atrás de uma barreira de barcos da polícia e de grupos ambientalistas, que tentavam fazê-la voltar em direção à foz, a nariz-de-garrafa subia e descia sem parar, soltava esguichos de água e parecia desorientada.
Embora estivesse aparentemente saudável, especialistas temiam pela sua saúde. Rastros de sangue foram vistos nas águas, sinal de algum ferimento. Para chegar ao centro de Londres, a baleia, que, provavelmente, perdeu-se da mãe, nadou cerca de 60 quilômetros e teve de ultrapassar a barreira do Tâmisa, um dique que controla o nível das águas. À noite, depois que a maré subiu, a baleia começou, enfim, a nadar na direção do mar.