Quase 4 anos longe das salas de aula e da minha matéria favorita: História do Brasil e mais Atualidades... Quase 4 anos esperando os senhores diretores das escolas ligarem, e alguns falarem para que eu esperasse 15 dias que estaria trabalhando...
Graças a alguns amigos, a Gislaine e a Nair, consegui aulas no Colégio Criativo - Balão Encantado, no Parque Vista Alegre. Anotem: esta escola vai crescer muito, a diretora é muito séria no trabalho com alunos e a coordenadora Nair, com anos de experiência procura trabalhar com ética e respeito, e através de um pacto ético, político, civil e profissional, levar ao aluno a responsabilidade e o compromisso, palavras que hoje em dia são jogadas na lata do lixo. Obrigado a todos amigos que torceram por este ex-professor desempregado. Deus ilumine!
Quase 4 anos vendo as grifes escolares, quase comparadas à Daslu (e observem: tem “coisa” feita atrás disso)... Quase 4 anos vendo professores trabalharem na rede pública e privada, até aí tudo bem, precisando de grana! Mas fica uma pergunta e um desafio: onde é que os professores faltam; na pública ou na particular?
Quase 4 anos vendo, observando, sentindo uma amnésia cultural sem precedentes. Hoje importa ser “inovador”, “facilitador”, “empreendedor”... Meu amigo, leciono há 36 anos, nunca vi tanta poesia para pouca lição, nunca vi tanta enganação para tão pouca tarefa de casa.
Quase 4 anos e nunca vi tanto adestramento intelectual. Projeto? Mas que projeto (e com “p” minúsculo), pára com isso! Projeto é outra coisa... É preciso pensar educação com responsabilidade e maturidade. Tenho certeza absoluta que fui o primeiro professor, em 1991, a trabalhar com aulas de Atualidades (hoje não tenho alunos), é só fazer uma lista dos profissionais que foram meus alunos entre 1991 e 1997/98 - a partir daí banalizou tudo. Virou um grande mercado de peixe e com mau cheiro terrível! Essa idéia de que educar bem é assegurar vaga na universidade, é balela! É mentira! Tenho ex-alunos, hoje professores da USP e da PUC que falam: “Paulo, os alunos de hoje não sabem escrever, não conseguem pensar, não lêem, não têm pensamento crítico. Seriam reprovados se fizessem ditados, aqueles velhos ditados...”
Quase 4 anos, comendo o pão que o diabo amassou, mas tenho dignidade suficiente de olhar para o rosto de cada diretor e dizer: “Muito obrigado, companheiro, aprendi muito com você!” Terrível, não? O professor Júlio Groppa Aquino afirma: “Na penúria em que nos encontramos, pode faltar pão, mas não o circo. Esse é o efeito principal da onda de auto-ajuda pedagógica que assola as escolas atualmente. A situação é muito grave para que possamos arrancar aplausos fáceis, fazer correr lágrimas comovidas de olhos mais sensíveis - ou míopes - e ter o sono dos justos.”
Alunos de 5ª à 8ª série, vamos trabalhar, vamos deixar apesar das escolas estarem às escuras, o Colégio Criativo Balão Encantado claro, muito claro!
Paulo Neves - ex-professor desempregado