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Emocionada, mulher não esconde remorso por ter deixado seu filho

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Na véspera do primeiro encontro com o filho, Concetta Lourdes Pennetta não conseguia esconder a emoção. Aliás, uma mistura de várias delas. “Confesso que estou anestesiada. Estou superfeliz, mas também com medo, remorso, vergonha”, revela. Atualmente, ela dirige uma imobiliária no bairro onde mora em São Paulo, mas nunca deixou de pensar no filho que entregou ainda bebê. Como forma de punição, nunca casou e teve outros filhos. “Eu não poderia fazer isso, se o meu primeiro filho não mantive comigo”, conta.

Concetta conta que seus pais sempre foram muito rígidos, e quando ela, aos 20 anos, se envolveu com um homem bem mais velho, acreditou que conseguiria sair de casa. “Mas na primeira suspeita da minha gravidez, ele sumiu”, lembra. Ela não contou a ninguém que estava esperando um filho. Escondeu até o último momento e, quando percebeu que o nascimento estava se aproximando, resolveu deixar São Paulo.” Juntei um dinheiro e fui até a rodoviária. O primeiro guichê que eu parei era de uma companhia que fazia viagens para Bauru”.

Assim que chegou na cidade, parou numa lanchonete e pediu um suco e um lanche. “No meio do suco, comecei a sentir as contrações”, conta. Ela foi até a maternidade, onde teve o bebê. Concetta lembra que a única pessoa que a tratou bem, foi a enfermeira, tia adotiva de Soares. “Ela me disse que se eu o entregasse para a doação, nunca mais o veria. Então sugeriu que eu deixasse o bebê com a cunhada dela, que tinha uma boa condição financeira e não podia ter filhos”.

Concetta entregou seu filho, garantindo que não iria interferir. A condição foi que, se Soares quisesse encontrá-la, que a família não se opusesse. “Hoje eu vejo que nós duas cumprimos nossas partes. Quando ela soube que ele estava me procurando, contou a verdade”, diz.

A corretora de imóveis ainda lembra que a enfermeira deixou um telefone para contato e um endereço, mas um dia, ela foi assaltada e levaram os dados. “Pensei que nunca mias fosse encontrá-lo”, recorda. Ela chegou a vir para Bauru procurar o filho, que na época deveria estar com 5 anos. Mas como a enfermeira tinha deixado de trabalhar na maternidade, ela voltou a São Paulo sem notícias.

“A partir daí, todos os dias de aniversário dele, eu ia até uma igreja e rezava para que Nossa Senhora Aparecida protegesse e cuidasse do meu filho”. A família nunca soube o que tinha acontecido até a semana passada. O pai de Soares, conta, morreu um ano após o nascimento do bebê.

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