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Nova ala do Manoel de Abreu facilitará tratamento de câncer

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

O Hospital Manoel de Abreu, especializado no tratamento de câncer, inaugurou ontem pela manhã sua nova ala de oncologia. A estrutura vai possibilitar que portadores da doença que moram em Bauru façam tratamento na cidade, não precisando mais recorrer a procedimentos com quimioterapia e radioterapia na região como Jaú, Barretos e Marília.

A reforma do prédio foi realizada através de parceria entre Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e a Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC). Foram arrecadados R$ 120,00 mil em dinheiro e material de construção entre 52 voluntários – empresários e pessoas físicas.

Mensalmente, conforme dados obtidos com a ABCC, cerca de 300 doentes - a maior parte de Bauru - precisam de atendimento oncológico. Para a presidente da associação, Lyenne Berriel, o novo espaço poderá ajudar na recuperação mais eficaz dos pacientes.

“Bauru precisa, com urgência, se tornar um centro de excelência em oncologia para que seus pacientes possam fazer os tratamentos perto de suas casas. Quando precisavam viajar, ficavam longe da família, o que gerava grandes problemas de ordem psíquica”, avalia Berriel.

A próxima meta do grupo, diz ela, é a reforma de outro prédio, que fica dentro do complexo, onde poderá ser abrigada a ala de diagnóstico. “O projeto já foi entregue ao Ciesp. Só estão faltando os parceiros”, completa.

Para o presidente do Ciesp em Bauru, Ricardo Coube, a iniciativa privada cumpre um papel que o Estado deixa de fazer. Ele, no entanto, reconhece que o setor empresarial também tem suas responsabilidades sociais, porém critica a omissão do governo.

“Entendemos que precisamos contribuir por reconhecermos toda a deficiência do Estado e uma certa incompetência também para fazer o que deveria ser feito em razão de todos os tributos que recolhe”, reitera.

O superintendente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que administra o Hospital Manoel de Abreu, Reinaldo Silvestre Rocha, comemora a ampliação do complexo. Ele diz que, com os novos 30 leitos - 21 estão disponibilizados a pacientes adultos e 12 a crianças -, será possível atender portadores de câncer não só de Bauru, mas também de outras 42 cidades da região.

Ainda conforme ele, o Manoel de Abreu se mantém hoje com os recursos de faturamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e com repasses da Secretaria de Estado da Saúde, principalmente através de equipamentos. “Por mês, para mantermos os três hospitais (Maternidade Santa Isabel, Manoel de Abreu e Hospital de Base) temos R$ 3,5 milhões”, informa.

O prefeito de Bauru, Tuga Angerami (PDT), que também esteve na inauguração, considera a ampliação do complexo, muito mais um avanço humano que tecnológico. “Não há sofrimento maior para um portador de câncer do que viajar quilômetros de distância para fazer sua sessão de quimioterapia ou radioterapia. O tratamento provoca náusea e um mal-estar enorme, o que piora com a viagem. Poder fazer esse tratamento em Bauru, perto da família inclusive, o que é fundamental, considero um grande avanço humano”, destaca.

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Parceria

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), um dos convidados que compareceu para prestigiar a inauguração da nova ala do hospital Manoel de Abreu, deixou claro em seu discurso que julga de extrema importância o apoio da iniciativa privada. Para ele, o Estado precisa de, cada vez mais, apoio.

“Essa parceria do Ciesp me deixa satisfeito. O poder público sozinho não tem condição financeira para cuidar de todos os setores sociais. Sem esse respaldo, tudo fica mais difícil. Cada um fazendo a sua parte, o problema é minimizado ou resolvido”, observa.

O tucano também ressaltou que o governo do Estado ampliou para 350 mil o número do teto de atendimentos de casos de pacientes com câncer.

O secretário de Estado da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, que até sexta-feira confirmava presença na inauguração, não compareceu. Ele foi representado pelo diretor da Direção Regional de Saúde em Bauru, Afonso Viviane Jr.

A ala de oncologia do hospital dispõe de 200 metros quadrados de área onde estão disponíveis 11 quartos, posto e salão para supervisão de enfermagem, uma sala de televisão e jardim externo.

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