Internacional

Irã: ação militar israelense seria ‘fatal’

Folhapress
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Teerã - O Irã afirmou ontem que uma ação militar israelense devido ao seu programa nuclear seria um “erro fatal’’ e rejeitou as ameaças de Israel dizendo que o país está envolvido em um “jogo infantil’’. As declarações foram dadas um dia depois de o ministro da Defesa de Israel, Shaul Mofaz, afirmar que seu país “não irá tolerar o desenvolvimento da capacidade nuclear do Irã” e que estava preparado para uma possível falha em seus esforços diplomáticos.

Mofaz disse ainda que Israel “deve ter a capacidade de se defender’’ e está “se preparando’’. “Nós consideramos os comentários de Mofaz uma pressão psicológica”, afirmou o porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Hamid Reza Assefi. Israel sabe que (atacar o Irã) seria um erro fatal. Isto é apenas um jogo infantil.”

Assefi afirmou ainda que o Irã não se “preocupa’’ com o possível envio de sua questão nuclear ao Conselho de Segurança da ONU e denunciou o caráter “‘político’’ da reunião do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) -marcada para 2 de fevereiro. “Não nos preocupa o Conselho de Segurança, mas é um método incorreto que alguns seguem”, disse. “A reunião de urgência do Conselho de Governadores da AIEA não é necessária. É um ato político”, acrescentou.

França

O porta-voz ministerial também criticou as declarações dadas na quinta-feira pelo presidente francês, Jacques Chirac, que afirmou que a França se reserva o direito de responder de forma não convencional, ou seja, nuclear, “aos dirigentes de Estados que recorrerem a meios terroristas’’. “As palavras do presidente francês são inaceitáveis e injustificáveis’’, declarou Assafi, enquanto o presidente do Parlamento iraniano, Gholam Ali Hadad Adel, as classificou de “vergonha para o povo francês”.

Na semana passada, líderes europeus elaboraram uma resolução pedindo que a questão iraniana seja encaminhada ao Conselho de Segurança da ONU. No entanto, a resolução não cita eventuais sanções contra o Irã. Lacres O Irã removeu os lacres em seu centro de pesquisas nucleares para o enriquecimento de urânio na semana passada, anunciando que retomaria a “pesquisa e desenvolvimento” nucleares com urânio, causando imediata reação dos Estados Unidos, da União Européia (UE) e da Rússia.

Segundo a AIEA, o país planeja enriquecer urânio -material com utilidade militar. EUA e União Européia (UE) tinham pedido ao país a interrupção de atividades nucleares de potencial uso bélico. A posição do Irã dificulta ainda mais as relações do país com os Estados Unidos -que acusam o governo iraniano de querer desenvolver armas atômicas de destruição em massa. O Irã nega as acusações, alegando que seu programa nuclear é totalmente pacífico.

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