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Há chatos, mas a maioria é sensata


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O processo de industrialização e suas conseqüências avançaram vertiginosamente até a década de 1960 sem enfrentar resistência significativa nas sociedades. A abundância e a aparente capacidade infinita de recuperação de nossos ecossistemas faziam crer que esse avanço inconseqüente era a melhor opção. O primeiro alerta contundente que contesta essa opção surgiu em setembro de 1962, quando a bióloga Rachel Carson publicou a “Primavera Silenciosa”. O livro descreve os efeitos do uso de pesticidas e outras substâncias químicas no meio ambiente. A partir desse alerta assustador, que não podia ser ignorado, as sociedades iniciaram a criação de mecanismos que pudessem protegê-las de investidas inconseqüentes contra a natureza ou minimizar e compensar os impactos quando o avanço fosse imprescindível.

De lá para cá muitas conferências, pactos e leis internacionais foram concretizados. Como exemplo ressaltamos a Rio 92, agenda 21 e, mais recentemente, o protocolo de Kioto, que passou a valer a partir da adesão russa. Em nível nacional podemos citar a proliferação de secretarias de meio ambiente, de órgãos, comissões e de artifícios criados para zelar pelo meio ambiente. claro que, para os adeptos da industrialização inconseqüente, todo este aparato só serve para atrapalhar. É claro que, para os “eco-chatos”, este aparato é insuficiente. Mas são os dois extremos. A maioria envolvida no processo vê progresso nessa história. Ambientalistas sérios e industriais sensatos hoje se sentam à mesa e comungam opiniões convergentes. Está claro para todos que a degradação inconseqüente não é a opção acertada. Basta ver o exemplo do APL (Arranjo Produtivo Local) calçadista de Jaú. Com a constituição de um grupo de Gestão Ambiental, encontra alternativas para a destinação dos resíduos industriais. Atitude condenável e que causa confusão é quando se utiliza todo o aparato de defesa ambiental apenas politicamente, e não tecnicamente. É simples dizer que os ambientalistas emperraram a construção desta rodovia ou daquela indústria. O difícil é perceber que, na maioria das vezes, os ambientalistas apenas computaram no preço da obra uma pequena parcela do passivo ambiental e alguém se recusou a pagar.

Os órgãos e leis de proteção ambiental colocam na agenda a contestação de modelos que utilizamos e que podem, gradativamente, ser substituídos. Algumas rodovias são desnecessárias ou têm vida mais longa quando se investe em ferrovias e hidrovias. Algumas usinas hidrelétricas ou termelétricas são desnecessárias quando se investe em matrizes alternativas, como placas solares ou geradores eólicos. Finalmente, a meu ver, os aparatos ambientais hoje existentes, quando utilizados tecnicamente, provocam reflexão e representam uma evolução na relação do homem com o meio em que habita.

O autor, José Paulo Toffano, coordena o PV regional e é ex-secretário de Meio Ambiente de Jaú. toffano@escolainternacional.com

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