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Cevac fecha abrigo e transfere 11

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Em cima de cada cama, uma boneca. Ontem, as 11 meninas órfãs ou em situação de risco que foram transferidas do Centro de Valorização da Criança (Cevac) para a Casa de Nazaré passaram a tarde arrumando suas coisas no novo lar. Enquanto isso, dois voluntários da comunidade carregavam os móveis para dentro da instituição. Ontem, após quase cinco anos de atendimento, o abrigo do Cevac foi fechado.

As adolescentes que chegaram à Casa de Nazaré ainda estavam tristes por terem deixado o Cevac. Enquanto as que já estavam abrigadas no local se mostravam um pouco arredias às novas colegas. “Vai demorar um pouco, mas a gente vai se dar bem”, confessa uma adolescente de 13 anos, que já estava na Casa de Nazaré. Com a mesma idade, uma das meninas transferida do Cevac também se mostrou descontente. “Estou triste de sair. Lá era a nossa família”, conta.

“A data é positiva, as meninas foram para um lugar melhor. Lá a comunidade dá muito apoio à Casa de Nazaré”, avalia Daniel Garcia Alonso, presidente do Cevac. As adolescentes que estavam abrigadas no centro foram transferidas para a Casa de Nazaré, e se juntaram as 12 meninas que já estavam na instituição. Os móveis do Cevac também foram levados à Casa de Nazaré, que agora possui capacidade para atender até 29 meninas, com idades entre 12 e 18 anos.

Para a psicóloga Renata Cândido, coordenadora da casa, o trabalho desenvolvido com as meninas será continuado. “É um público que muda muito, pois a rotatividade é alta. Mas estamos tomando conhecimento do caso de cada uma delas. Algumas, já tinham passado pela Casa de Nazaré”, conta. Atualmente três meninas que estavam no Cevac e duas da Casa de Nazaré estão em processo de desabrigamento.

Vítimas dentro de casa, a reintegração das adolescentes leva tempo. A psicóloga afirma que devido a exposição à violência, as meninas podem demorar mais para amadurecer. ”As fases do desenvolvimento não se desprendem tão rápido”, explica Cândido.

O diferencial da Casa de Nazaré em relação ao Cevac é o encaminhamento ao mercado de trabalho para aquelas que não voltarem para as suas famílias. A presidente do Conselho Tutelar, Cássia Tosim Paley, acompanhou a transferência das meninas, na tarde de ontem. Ela, que já foi da coordenação da Casa de Nazaré, conta que a instituição tem parceria com algumas entidades para inserir as meninas no mercado de trabalho, como Subseção de Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “A partir dos 16 anos, elas já são encaminhadas para estágios e algumas são efetivadas”, aponta.

Futuro

O sonho de ser professora é o que motiva uma adolescente de 13 anos da Casa de Nazaré. “Vão arrumar um emprego para mim, aí eu alugo uma casa e posso sair daqui”, planeja. Atualmente, ela tem a companhia da irmã mais nova, de 11 anos, na entidade. Na casa, ela gosta de escutar música e brincar. “Aqui está sendo superlegal”, conta.

Outra adolescente de 13 anos, estava no Cevac, mas já tinha passado pela Casa de Nazaré. No antigo abrigo, conta que estavam montando um grupo de dança. “Mas aí tiveram que fechar e a gente não pode procurar a professora”, diz. Para o futuro, ela pretende cursar faculdade de serviço social. “Quero trabalhar e construir um abrigo para acolher as pessoas”, revela.

Uma das adolescentes que vieram do Cevac completará 18 anos em outubro. Já fazia três anos que ela estava no abrigo. “Eu amava aquele lugar. Agora tem que dar tempo ao tempo para ver como vamos nos adaptar”, observa. Quando tiver de sair da instituição já tem tudo planejado. “Vou morar com a minha avó. O que mais quero é arrumar um emprego, fazer faculdade para ser assistente social e depois ajudar as pessoas, como eu fui ajudada”.

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Meninos

Paulo Sérgio Canalli, chefe de gabinete da prefeitura, aponta que a unificação dos abrigos femininos não trará problemas ao município. “O número de vagas oferecidas é o suficiente. Não haverá prejuízos para a cidade”. O problema, aponta Canalli, é a falta de abrigos para os meninos.

Para resolver a questão, a Secretaria do Bem-estar Social (Sebes) está formulando um projeto que adaptará o prédio do Centro de Recuperação e Reintegração de Menores (Gilgal) em abrigo para adolescentes. “A intenção é que seja concretizado o mais rápido possível”, diz

Os planos do Cevac para as dependências, que até ontem alojavam as meninas, é usá-lo para ampliar a creche. “Atualmente, a creche atende gratuitamente 70 crianças. Com a ampliação, pretendemos dobrar esse número”, aponta Daniel Garcia Alonso, presidente da entidade. “Nós temos o espaço e os funcionários. A partir do momento que a prefeitura entrar com o seu auxílio para as adaptações, vamos estender a creche”. Outro projeto do Cevac é oferecer creche no período noturno, mas com a cobrança de taxa.

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