Política

Lu Alckmin: lei da palmada não resolve

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A primeira-dama do Estado, Maria Lúcia Alckmin, opinou ontem, durante passagem por Bauru, que não acredita no efeito prático do projeto de lei em discussão no Congresso Nacional que pretende punir pais que usem métodos como palmadas para educar os filhos.

A presidente do Fundo Social de Solidariedade do Estado passou por Bauru em direção às cidades de Gália e Ipaussu, onde cumpriu agenda de entrega de obras sociais do órgão. Acompanhada do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), ela inaugurou a Casa de Brinquedos e a Lavanderia Comunitária no Centro de Gália e, em Ipaussu, na região de Ourinhos, participou da cerimônia de inauguração de uma unidade do programa Padaria Artesanal.

Em entrevista coletiva à imprensa, no aeroporto local, ontem pela manhã, Lu Alckmin falou sobre o papel dos pais na educação, segurança e sua expectativa na participação da campanha eleitoral deste ano, caso o marido, Geraldo Alckmin, dispute a Presidência da República.

Sobre o projeto de lei que pune palmadas na relação entre pais e filhos, aprovado pela Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados, a primeira-dama prefere comentar longe do campo político, mas com o olhar de mãe. “Não acho lei sobre isso importante. Acho importante o diálogo entre os filhos, o amor. Os pais hoje trabalham e não têm muito tempo para os filhos, mas o tempo que tiver por menor que seja que seja de qualidade. Tem mãe que passa o dia todo com o filho e não tem paciência, não escuta, bate”, avalia.

A proposta é de autoria da deputada e pedagoga Maria do Rosário (PT) junto com outros quatro petistas. “Minha tese é amor aos nossos filhos, às pessoas. Quem tem amor não mata, não rouba, não destrói, não humilha. A base de tudo é o amor. O que os filhos precisam é amor. Não precisa dar palmada. Os pais precisam dar o exemplo e com certeza ele vai seguir”, aconselha a esposa do governador.

Sobre seu dia-a-dia como moradora de uma das metrópoles mais violentas do mundo, a capital do Estado, ela garante que não anda de carro blindado, nem os filhos. “Não ando de carro blindado e vou na periferia, visito as favelas e faço meu trabalho social como articuladora de um esforço de muitas voluntárias que carregam esse trabalho social”, pondera.

Assistência

Apesar dos programas de compensação de renda promovidos pelos governos federal e estadual, a primeira-dama é contra o assistencialismo. “Acredito que a gente melhora a vida do nosso semelhante através da geração de emprego e renda. Sou contra o assistencialismo. Não adianta dar a cesta básica hoje porque no mês que vêm essas pessoas estão com fome. Precisa gerar emprego, renda e capacitar as pessoas para o trabalho”, sugere.

Sobre a intensificação de visitas ao Interior no último ano do mandato, Lu Alckmin confirma que pretende aproveitar o tempo de mandato do marido para cumprir as ações previstas. “Vou aproveitar o tempo que resta até março para concluir as ações previstas. Depois esperar a candidatura do Geraldo a presidente para participar da campanha”, conta.

Sobre a participação política nas visitas vinculadas ao fundo social, Maria Lúcia descarta o uso dos eventos para a promoção eleitoral do marido, conforme representação do deputado estadual petista Renato Simões encaminhada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

A reclamação do petista foi para eventual manifestação de apoio da primeira-dama à candidatura presidencial de Alckmin, durante discurso em evento do fundo social realizado em São José dos Campos (SP), em dezembro passado. “Eu estava na cidade com várias primeiras-damas elogiando o trabalho delas. O que eu pedi é que elas continuem esse trabalho lindo porque eu não faço nada sozinho e elas são minhas amigas hoje”, aborda.

Ao discursar durante o evento em que acompanhou a primeira-dama, em Gália, o deputado estadual Pedro Tobias fez elogios ao casal Alckmin e aproveitou para pontuar sobre a candidatura à Presidência, segundo sua assessoria de imprensa.

“Ambos são humildes, sérios, carismáticos e trabalhadores. Esse casal merece nosso carinho e respeito e o Brasil precisa deles para que possam estender os programas de grande alcance social aplicados aqui no Estado de São Paulo no restante do País”, declarou Tobias.

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