Bairros

‘Ilha’ no leito do rio Bauru é indício de assoreamento

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar de estreito e mal cheiroso por conta do esgoto que recebe, principalmente em trechos específicos, o rio Bauru tem até “ilha”. O ponto, coberto por mato e nem tão fácil de ser observado por quem passa pelo trevo André de Blois Montoro - na avenida Nuno de Assis, próximo à rotatória de acesso ao Núcleo Habitacional Mary Dota – é indício de assoreamento, problema antigo denunciado por ambientalistas.

O trecho de vegetação, com cerca de 70 metros de comprimento e mais outros oito de largura, contribui com eventuais inundações. A informação é reiterada pelo secretário-executivo do Instituto Ambiental Vidágua, Ivan Ferrazoli De Marche. Na opinião dele, as faixas de terra no leito do rio diminuem a vazão de água e aumentam o nível do manancial.

“Dão pouquíssima atenção ao rio Bauru. Ninguém pensa no futuro. Só tomam iniciativa para minimizar um grande impacto”, diz De Marche. Como a administração municipal não prevê problemas sérios a curto prazo e classifica como tranqüila a situação ao longo do ribeirão, a “grande ilha” e outras bem menores localizadas às margens do canal terão vinda longa.

Diante das dificuldades da prefeitura, a Secretaria de Obras centrou forças em outros pontos da cidade. De acordo com o titular da pasta, Leandro Joaquim, o Parque Jaraguá é um exemplo. No local, o dissipador de águas foi refeito. “A água (do rio Bauru) está correndo com mais velocidade e o nível (do rio) está mais baixo. No final de semana, nós mexemos no rio Bauru, no pátio da rede (ferroviária)”, explica Joaquim.

Limpeza

Naquele trecho, o ribeirão Bauru recebe águas dos córregos Madureira, da Grama, do Sobrado e da Forquilha. O trabalho foi executado com auxílio de uma máquina do Departamento de Água e Esgoto (DAE). A partir de julho, a ação deve ser estendida ao longo de todo o rio, prevê Joaquim.

“O ideal é que a limpeza fosse feita (constantemente). Mas é pequena a contribuição (da vegetação que nasceu no rio para a inundação). A velocidade da própria água favorece a limpeza. De 80 a 85% de toda água que cai na cidade corre para o rio Bauru (pelos afluentes ou pelas galerias). É uma grande bacia de recepção e um único canal de escoamento”, explica o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.

De acordo com ele, ao longo do rio, a vegetação encontra condições perfeitas para crescer. Além da terra arrastada, água e adubo proveniente do esgoto estão sempre garantidos. “A tendência é ficar sujo principalmente no verão porque a água da chuva vem trazendo (terra)”, comenta. A análise dele pode ser constatada, por exemplo, na quadra 18 da avenida Nuno de Assis, onde é possível observar lixo, inclusive orgânico, preso à vegetação.

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Banco de Areia

Parte da areia carregada até o rio Bauru vem das águas do córrego Água do Sobrado, que mantém seus tradicionais bancos de areia nas proximidades da avenida Alfredo Maia. O problema, legado de gestão em gestão, pode ser minimizado ou quem sabe extinto neste ano, quando a administração municipal pretende comprar uma nova draga orçada em R$ 550 mil.

“Ela é mais moderna, mais ágil. Em três dias, faz o trabalho que a draga antiga faz em um mês. Nós tínhamos muito problema (de manutenção) e pouca resolutividade com as antigas”, explica o secretário de Obras, Leandro Joaquim. De acordo com ele, o processo de licitação para a aquisição do equipamento já foi iniciado.

“O ideal seria recompor o canal, deixar a área mais alta e formar um parque aqui (no terreno ao lado do córrego, na altura dos bancos de areia)”, sugere o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito. Ele conta que a área de uns sete mil metros quadrados, de onde foram retirados caminhões de entulho, um dia já foi elegante.

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