Regional

Vendas de aviões agrícolas caem 50%

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - Depois de passar por um ano atípico em 2004, quando as vendas de aviões agrícolas tiveram seu melhor desempenho, a Indústria Aeronáutica Neiva, subsidiária da Embraer em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), amargou uma queda de 50% nas vendas desse tipo de aeronave, no ano passado.

Em 2004, foram vendidas 70 aeronaves do modelo Ipanema mas, segundo a assessoria de imprensa da Embraer, foi um ano excepcional para a agricultura brasileira por causa do aumento nas exportações. Conseqüentemente, a indústria aeronáutica foi afetada positivamente e registrou um aumento na venda de aeronaves agrícolas.

De acordo com a assessoria da empresa, no ano passado, as vendas voltaram aos níveis médios, foram vendidas 35 unidades do avião Ipanema. Se por um lado diminuiu a venda dos aviões, por outro, a Neiva, com cerca de 1.300 funcionários, conseguiu expandir as vendas do kit que converte aviões a gasolina em aviões a álcool.

Mesmo com a diminuição das vendas de unidades do avião Ipanema, no ano passado, a aeronave continua a conquistar os agricultores. O motor do Ipanema passou a funcionar movido a álcool combustível. A vendas dos kits de conversão contribuíram para que a empresa mantivesse o bom faturamento em 2005, apesar da queda no número de unidades vendidas.

O preço de cada avião Ipanema fica em torno de US$ 285 mil, enquanto que cada kit de conversão custa em média US$ 25 mil. A empresa negociou no ano passado 130 kits de conversão, que gerou lucro em torno de US$ 3,2 milhões.

Em outubro de 2004, o avião Ipanema, produzido em Botucatu, recebeu certificado do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) por ser o primeiro avião do Brasil a voar movido a álcool combustível. Cerca de 95% dos 35 aviões produzidos no ano passado pela empresa, saíram da fábrica movidos ao combustível extraído da cana-de-açúcar. O desempenho das aeronaves que funcionam com este combustível, de acordo com a empresa, é melhor do que o avião movido a gasolina.

Bicombustível

Mesmo não estando nos planos da Embraer, não está descartada a possibilidade de no futuro a empresa trabalhar com um avião agrícola tipo flex. A assessoria da Embraer informou que é viável a existência de um avião bicombustível (álcool e gasolina), pois a diferença entre o litro de gasolina especial para aviões (em média R$ 5,00) e o litro do álcool comum (em média R$ 1,60) é muito grande.

O Centro Técnico Aeroespacial (CTA) de São José dos Campos começou a fazer estudos com o motor flex, mas, segundo a empresa, é um projeto para o futuro. No ano passado, a Neiva recebeu o “Prêmio Gerdau Melhores da Terra” na categoria “novidade” por ter contribuído no campo da inovação tecnológica para o setor aéreo.

A venda de aviões não é a única fonte de faturamento da Neiva. Além dos kits de conversão, ela também produz peças para aviões. No entanto, de uma frota nacional de aviões agrícolas estimada em 1.200 unidades, cerca de 900 foram produzidas pela subsidiária da Embraer em Botucatu.

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