Internacional

Palestinos elegem hoje novo Parlamento

Por Daniela Loreto | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Ramallah - Mais de 1,3 milhão de palestinos devem ir às urnas hoje para eleger um novo Parlamento, nas primeiras eleições legislativas em dez anos. O pleito pode significar o fim da hegemonia do partido Fatah (maior partido palestino, ligado ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas) e a entrada na política do movimento radical islâmico Hamas.

Os palestinos escolherão 132 deputados de 11 partidos em mais de 1.000 postos eleitorais espalhados por Gaza, pela Cisjordânia e por Jerusalém. Na votação, os palestinos usarão duas cédulas. Em uma delas, elegerão um dos 11 partidos e na outra escolherão um entre os 400 candidatos. Atualmente, o Conselho Nacional palestino conta com 88 cadeiras e é controlado pelo Fatah. No entanto, a lei eleitoral reformulada por Abbas aumentou o número de deputados para 132.

As eleições legislativas palestinas despertam grande interesse em Israel e na comunidade internacional, já que ocorrem em um momento de crise na segurança dos territórios palestinos. A participação do Hamas - considerado um grupo terrorista pela Europa e pelos EUA - também desperta o interesse internacional.

Segundo as últimas pesquisas, o Fatah ganharia as eleições com cerca de 41% dos votos, seguido pelo Hamas, que ficaria com 35%. A entrada no Parlamento do movimento - que não reconhece a existência de Israel e defende a luta armada - pode representar um obstáculo nas negociações pela paz na região e até mesmo um corte na ajuda financeira enviada pela União Européia (UE) aos palestinos.

Abbas já afirmou que o Hamas deverá renunciar à violência se quiser fazer parte do governo palestino. O principal candidato do Fatah é Marwan Barghuti, político carismático e muito popular que cumpre uma condenação a prisão perpétua em uma cadeia israelense. Diante da imagem de corrupção que rodeia a velha guarda o Fatah, ele faz parte de uma nova geração que representa a resistência do povo palestino.

A votação ocorrerá sob extensas medidas de segurança. Desde anteontem, as forças de segurança - que votaram antecipadamente durante o final de semana - estão em estado de alerta máximo. “Se as eleições forem bem-sucedidas, serão a consolidação da democracia palestina e terão repercussões em toda a região. No entanto, se forem mal, os palestinos serão vistos como imaturos e incapazes de dirigir nosso Estado independente”, afirmou o diretor da Comissão eleitoral central, Amar Dwaik.

Hoje, 13 mil agentes estarão a postos nos cerca de 1.000 colégios eleitorais, nos quais o porte de armas será proibido. Além disso, haverá a presença policial maciça nas ruas.

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Ajuda dos EUA

Ramallah - Os Estados Unidos não chegaram a financiar diretamente a campanha eleitoral do Fatah, partido do presidente Mahmoud Abbas e o único capaz de evitar a vitória nas urnas do grupo terrorista islâmico Hamas. Mas um programa de emergência de US$ 2 milhões, segundo o “Washington Post”, ou de US$ 1,9 milhões, de acordo com o “New York Times”, foi posto em prática para financiar iniciativas de pequeno porte e alta visibilidade, em benefício da Autoridade Nacional Palestina.

O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, negou ontem que o programa tivesse um objetivo eleitoral. Disse que “os EUA ajudam pessoas de todo o mundo empenhadas na construção de instituições democráticas”.

As iniciativas são financiadas pela Usaid, agência do governo americano para ajuda a projetos civis, cujos logotipo e sigla não aparecem nos locais das pequenas obras e dos eventos, programados pelo principal assessor de Abbas. Há distribuição de alimentos, doação de computadores, limpeza de ruas, embelezamento de praças e até patrocínio de um campeonato juvenil de futebol.

Folhapress

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