Brasília - Sob o argumento de que uma festa reunirá à noite senadores e líderes do PFL na Bahia, o depoimento do ministro Antônio Palocci Filho (Fazenda) à CPI dos Bingos correu risco de adiamento e acabou marcado para as 10h de hoje - com previsão de terminar entre 14h e 15h-, embora estivesse previsto para começar à tarde, sem hora de terminar. A oposição está dividida sobre o tom dos questionamentos a Palocci, o que alimenta a especulação de que haveria um acordo com o governo para poupar o ministro na CPI.
O senador Antônio Carlos Magalhães (PFL) disse que sairá em defesa de Palocci. ACM é o principal anfitrião da festa na Bahia em comemoração ao aniversário de 27 anos do deputado ACM Neto (PFL-BA). “Se ele (Palocci) viesse à tarde, muito senadores importantes estariam ausentes. Como o ministro viaja à Rússia na próxima semana, não foi possível adiar. Ele só poderia depor na semana do dia 20”, afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
Ontem, no início de uma sessão administrativa da CPI, às 14h30, o tucano disse que seis senadores importantes estariam ausentes, parte deles em função da festa. Ele citou Tasso Jereissati (PSDB-CE), que faltará porque sua mãe está doente. Mencionou ainda ACM e Agripino Maia (PFL-RN), comprometidos com a festa. ACM negou que o depoimento tenha sido alterado por causa da comemoração.
“O ministro pediu para antecipar o horário e acho que ele está certo. Não estarei aqui (à tarde) e também acho que não há razão para ouvi-lo neste horário”, disse o senador. “O evento do meu neto é secundário.” Embora tenha dito que a CPI “não tem nada a ver com festa”, o presidente da comissão, senador Efraim Morais (PFL-PB), contradisse ACM ao afirmar que foi ele, “por entendimento de lideranças”, quem pediu a antecipação.
O PFL não vai colocar o “ministro na parede”, segundo o senador Agripino. ACM atuará na defesa. “Vou jogar no meio campo. Sei que vão ter perguntas fortes e outras mais tranqüilas. Estou aqui para acalmar os ânimos. Vou jogar no meio-campo”, afirmou.
“O ministro terá de esclarecer suas gestões na Prefeitura de Ribeirão Preto (SP) e o recebimento dos dólares de Cuba para a campanha do presidente Lula”, afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). “O Senado sabe que não tem condições de fazer pastelão (palhaçada) no depoimento de Palocci”, disse o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT).
O principal articulador da defesa de Palocci na CPI é o senador Tião Viana (PT-AC). “Já vasculharam mais de 13 mil contratos efetuados na época em que ele foi prefeito em Ribeirão Preto e não encontraram nada. Não vai ser agora que isto vai acontecer.” Palocci responderá na CPI à acusação de seu ex-secretário de Governo em Ribeirão Preto em 1993 e 1994, Rogério Buratti.