A classe política brasileira é incansável na busca de surpreender ou nos mostrar o nível do escárnio com que encaram os eleitores que os colocam nos cargos que ocupam. Ainda vemos tanto lodo na superfície e sabemos quão miasmáticas são as águas do pântano político nacional. Indiferentes a isso ou zombando da maioria dos eleitores que, vítimas da falta de cultura, desprovidos de politização, o que os torna vítimas fáceis, mal inicia-se o ano político já se articulam numa disputa para destruir a verticalização e instituir a horizontalização partidária, o que os colocaria em condições de serem aliados na esfera federal e inimigos na estadual ou vice-versa, confundindo ainda mais aos já tão facilmente manipuláveis eleitores brasileiros. O despudor com que atuam deixa claro que, para eles, os fins justificam os meios. Fala-se muito em acabar com os “partidos de aluguel” quando acabado um período eleitoral e começa o “troca-troca” de partido por parte daqueles cuja única ideologia é a própria idolatria e a defesa das próprias ânsias de auferirem ao máximo as vantagens e os meios de se locupletarem. Avizinham-se as eleições, mostram-se aves de rapinas em cujos caminhos objetivos não vislumbram óbices capazes de os fazer considerar a necessidade da manutenção da própria dignidade.
Nos Estados Unidos da América, onde existe o bipartidarismo, a fidelidade partidária é algo levado muito a sério, embora não existam discrepâncias significativas entre as ideologias de ambos, ao ponto de existir a “máxima” que diz “não haver nada mais parecido com um democrata, que um republicano”. Isso porque é uma nação muito séria, um povo patriota e extremamente profissional. Não fosse por isso, por que fomos descobertos simultaneamente e eles se constituíram na nação mais poderosa do planeta, enquanto o Brasil tem uma das maiores dívidas externas e uma das piores distribuições de renda do mesmo? Quando presidente dos EUA, Kennedy disse a famosa frase: “Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer por ele.”
Infelizmente no Brasil os políticos têm facilidade em se darem bem pois ainda somos um país onde grande parte da população troca seu voto por qualquer promessa de levar vantagem após a vitória, onde boa parte da população ainda é capaz de satisfazer-se com a famosa frase “rouba mas faz”. Até quando seremos assim, até quando teremos políticos assim?
Áureo Antonio Érnica - CRMSP 33.576