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Serra e Alckmin fazem discurso como candidatos em São Paulo

Folhapress
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São Paulo - Antes contida, a equipe do prefeito José Serra já começa a falar publicamente da candidatura do tucano à Presidência. Ontem, mesmo dia em que o prefeito deu sinais de que pavimenta sua candidatura ao justificar aos paulistanos a possibilidade de renúncia, o secretário municipal de Serviços, Andrea Matarazzo, encorajou Serra a concorrer ao Planalto.

Para Matarazzo, “as pesquisas mostram que a sociedade quer (a candidatura), a sociedade chama por ele”. E “o PSDB reconhecerá isso. Aliás, reconhece”. “Acho que ele deve se candidatar principalmente pela bagagem política, pela história dele, pela capacidade de transformação’’, disse Matarazzo. E concluiu: “Se ele é bom para São Paulo, melhor ainda para o Brasil”.

A manifestação aconteceu quase duas horas depois de Serra dar mais uma demonstração de que pode concorrer ao afirmar que o destino de São Paulo depende da condução do País. “Quando o país não vai bem, São Paulo, pelo seu tamanho, pelo seu peso, pela sua diversidade, também não vai bem”, disse Serra, após falar do caráter cosmopolita da cidade.

No discurso em homenagem ao aniversário de São Paulo, em pleno Pátio do Colégio, onde a cidade foi fundada, Serra disse ainda que “a fidelidade maior da população paulistana é com o que se quer obter, com o futuro. Não com o que ficou para trás”. “E essa esperança no futuro, eu diria, num futuro melhor, foi o traço marcante de São Paulo, sobretudo nas suas épocas de crescimento e desenvolvimento.”

Serra abriu seu discurso referindo-se ao governador do Estado, Geraldo Alckmin, seu rival na disputa pela indicação do PSDB, como “parceiro no trabalho pela cidade”. Alckmin retribuiu o gesto, chamando Serra de “querido companheiro”, “grande prefeito”, “que administra esta cidade com seriedade, talento, espírito público e experiência acumulada de trabalhar pelo nosso povo”.

Após ouvi-lo, Serra segurou Alckmin pelos braços e agradeceu. Mesmo comedida, a troca de afagos quebrou o gelo que marcou toda a programação da manhã, iniciada com missa na Catedral da Sé. Na chegada, os dois apenas trocaram um meneio de cabeça. Já na cerimônia, no momento de confraternização, apertaram friamente as mãos. Na missa, coube a Serra a segunda leitura. A primeira, o testemunho do apóstolo Paulo, foi feita por Alckmin.

O prefeito leu a segunda carta de São Paulo a Timóteo: “Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da Justiça...” Acompanhados de suas mulheres, os dois mal conversaram no caminho da catedral ao Pátio do Colégio. Com a amabilidade em palanque, Alckmin, que pretendia decolar para Santos, adiou até sua viagem para, a convite de Serra, dividirem um banco num trólebus até o Teatro Municipal.

Em discurso no Teatro Municipal, Serra voltou a afirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prega a “deseducação" e disse que “muita gente se incomoda’’ com o fato de “ter idéias próprias”. Questionado sobre quem se incomoda, não quis citar nomes. “De toda maneira nós estamos no aniversário da cidade e não no meu. No dia 19 de março a gente pode falar...” À tarde, o SBT exibiu entrevista de Serra ao “Programa do Ratinho” em comemoração ao aniversário da cidade.

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