Buenos Aires - Ontem, em Buenos Aires, a principal associação que reúne as “Mães da Praça de Maio” encerrou às 18h (19h em Brasília) um ciclo de 25 anos das “Marchas da Resistência”, vigílias de 24 horas de duração, diante da Casa Rosada, para cobrar o Estado argentino pelo desaparecimento de cerca de 30 mil pessoas durante a ditadura militar (1976-1983).
A jornada começou na tarde de anteontem e se encerrou ontem, quando as mães fizeram, num ritual ininterrupto há 1.500 semanas, a ronda de todas as quintas-feiras em torno do monumento central da Praça de Maio, coberto por fotos de filhos e parentes desaparecidos, faixas e cartazes. Já eram mais de 23h de quarta e cerca de 30 mulheres, com lenços brancos na cabeça - o distintivo do movimento -, acompanhavam militantes de movimentos sociais, familiares e transeuntes da praça, num fluxo inconstante. Alguns faziam o percurso algumas vezes e deixavam a marcha.
No entorno, músicos se revezavam num palco, cantavam músicas de protesto (de tango a rock) atraindo passantes e mendigos. Não havia multidão, mas um clima de comoção e despedida, embora a associação diga que as rondas continuarão. Para a ONG, não há motivo para que as mulheres, de 72 a 96 anos, façam vigília diante da Casa Rosada, pois “não há mais inimigos lá”.