Cultura

Convite ao mundo das marionetes

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 4 min

Luvas que se transformam em personagens encantam adultos e crianças no espetáculo “Araújo e Ofélia” que o curitibano Beto Hinça traz a Bauru hoje, às 10h, na Biblioteca Ramal da Vila Tecnológica e no domingo, às 15h, no auditório do Zoológico Municipal. A peça é uma adaptação do livro “Araújo ama Ofélia” do autor brasileiro Ricardo Azevedo, e já foi apresentada em Portugal, onde o ator reside há 14 anos, em Curitiba e agora chega à cidade. “Bauru foi minha estréia mundial com teatro de bonecos. Há 16 anos, vim para cá com o espetáculo ‘Magia Musical’ e fui muito bem recebido. Para mim, meu retorno à cidade é um momento especial”, conta Hinça. O evento é uma realização da Secretaria Municipal de Cultura, em parceria com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

No palco, 20 bonecos se revezam nas mãos do ator para darem vida à história de amor entre Araújo e Ofélia, encenada num cenário colorido, produzido por Hinça. Na apresentação, o texto perde espaço para o movimento das luvas, que ganham rostos, expressões e sentimentos para reproduzir a paixão entre duas pessoas que se conhecem desde a infância, desencontram-se na adolescência e revivem todo o sentimento adormecido na velhice. “Há muito tempo que tinha o projeto de fazer um teatro com luvas. O desafio é grande, porque exige muito do corpo do ator. Porque, para trabalhar com outros bonecos, como os de vara, é necessário mais esforço durante a confecção da peça e não na execução”, explica.

O projeto levou um ano para ser concretizado por conta das outras atividades profissionais que Hinça desenvolve na Europa. O convite para vir a Bauru surgiu por conta de um encontro com a atriz bauruense Mariza Basso, durante um festival em Portugal realizado em junho do ano passado. “A Mariza articulou todos os contatos. Para mim foi ótimo, pois pude rever amigos e familiares, além de divulgar meu trabalho por aqui”.

Amor pelos bonecos

Com formação de ator de teatro, Hinça teve o primeiro contato com marionetes há 17 anos, quando foi convidado por Manoel Kobachuk para integrar o Centro Animações de Curitiba. “Achei superinteressante conhecer o mundo dos bonecos, porque é um trabalho que vai além do ator. Temos que ser escultores, pintores, além de aprimorar e conhecer novas técnicas de trabalho constantemente”, coloca o ator.

A liberdade de trabalho também foi outro fator que fascinou Hinça. “Ator de teatro trabalha com limitações de espaço, enquanto que o de bonecos pode encenar em praças públicas, bares e até mesmo em teatro”, aponta o ator, para quem o teatro tradicional é muito mais frio do que o de bonecos.

Desde sua primeira experiência, Hinça nunca mais abandonou as marionetes. O ator discorda que os bonecos sejam um teatro direcionado ao público infantil. Para ele, há espetáculos com bonecos para adultos, mas não voltados apenas para crianças. “Aqui no Brasil ainda existe essa cultura mas na Europa, o nosso maior público é o adulto. Eles se divertem, além de assistir a um show com qualidade e beleza”, ressalta.

Atualmente, o ator está a frente da companhia de teatro Beto Hinça Teatro de Marionetes em Portugal, trabalhando com mais quatro espetáculos. Neste ano, Hinça vai levar suas apresentações para a Venezuela, Polônia e Alemanha. Mas sua dedicação ficará voltada mesmo para o lançamento do segundo CD do grupo Os Guris, que deve sair ainda neste ano. O primeiro disco chegou ao mercado em 2004, intitulado “Chico Lua”. No repertório, diversos estilos, como o rock e o samba, dão melodia a letras direcionadas ao universo infantil. Mais sobre o trabalho do artista pode ser conferido no site www.chicolua.net

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Mochila nas costas e bonecos nas mãos

O sonho de conhecer a Europa foi o que motivou o ator a se aventurar pelo mundo. Com amigos em Portugal, Hinça tentou visto no consulado português no Brasil, mas não obteve êxito. A recusa serviu como incentivo e o ator preparou uma mochila com poucas roupas e partiu com seus três bonecos para fazer apresentações nas ruas de Portugal. O feito lhe rendeu um convite para participar de uma companhia de teatro que estava iniciando trabalhos com bonecos. Dali, não deixou de aproveitar oportunidades de apresentações em festivais do mundo todo e a brincadeira se tornou coisa séria. Há 14 anos fora do Brasil, Hinça diz que sente mais falta do País aqui do que em Portugal. “Lá eu assisto constantemente apresentações teatrais e musicais de brasileiros por preços acessíveis. As únicas coisas que me fazem falta são a minha família e a cerveja gelada do Brasil”, brinca.

• Serviço

Espetáculo “Araújo e Ofélia”, hoje, às 10h, na Biblioteca Ramal da Vila Tecnológica (rua José Sbeghen, 1-115) e no domingo, às 15h, no Zoológico Municipal. A entrada é gratuita. Mais informações: (14) 3235-1072.

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