Washington e Ramallah - O presidente dos EUA, George W. Bush, disse ontem que a vitória do Hamas é um alerta para a velha-guarda palestina - lideranças do Fatah ligadas à geração de Yasser Arafat, o líder morto em 2004 - e avisou que não haverá diálogo com o novo governo se for mantida a plataforma de destruição de Israel.
O Hamas é considerado um grupo terrorista pelo governo norte-americano, mas Bush foi cauteloso e se referiu ao “braço armado” do movimento - sem citar o termo “terrorismo”. “Eu deixei bastante claro que os EUA não apóiam partidos políticos que pregam a destruição de nosso aliado, Israel, e que as pessoas precisam renunciar a essa parte de sua plataforma”, disse Bush, em entrevista coletiva em Washington.
O presidente tampouco respondeu diretamente sobre a possibilidade de corte no auxílio financeiro norte-americano para a Autoridade Nacional Palestina (ANP) - disse que os EUA aguardam a formação do novo governo e esperam que o presidente Mahmoud Abbas, do derrotado Fatah, permaneça no cargo.
Abbas já disse que renunciará se não puder continuar a negociar a paz com os israelenses. O gabinete palestino apresentou renúncia coletiva e, por enquanto, o Fatah se recusa a formar coalizão com o Hamas e dá sinais de que irá se organizar na oposição. O presidente evitou interpretar a vitória do Hamas nas urnas como uma guinada da população palestina pelo extremismo islâmico.
Os EUA têm pregado a democratização no Oriente Médio, e Bush preferiu atribuir a vitória do Hamas exclusivamente à insatisfação com a corrupção e a incompetência administrativa da ANP.
O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, declarou ontem que busca a continuação das negociações de paz com Israel, após a vitória do Hamas. Abbas afirmou que vai iniciar imediatamente as consultas sobre a formação de um novo governo, que será estruturado pelo Hamas.
O líder palestino sugeriu que as futuras negociações com os israelenses poderão ser conduzidas pela Organização pela Libertação da Palestina (OLP), como forma de contornar um governo liderado pelo Hamas. A OLP foi fundada na década de 1960 para ser uma instituição que abarcasse as organizações palestinas, mas sua importância diminuiu desde o estabelecimento da ANP, em 1994. Abbas é o chefe da OLP, além de ser presidente da ANP.