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Conselho aprova os pedidos de cassação de Brant e Luizinho

Folhapress
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Brasília - Em meio a novas denúncias de um “acordão” em curso para livrar deputados de cassação, o Conselho de Ética da Câmara aprovou ontem, bastante dividido, pareceres que recomendam a perda de mandato de Roberto Brant (PFL-MG) e Professor Luizinho (PT-SP). As duas votações tiveram placares inéditos, mas a mais polêmica foi a de Brant, que havia sido adiada duas vezes anteontem após um dos membros do conselho, Pedro Canedo (PP-GO), afirmar estar sob pressão da direção do seu partido para mudar seu voto em favor do pefelista.

Remarcada para ontem, a votação terminou empatada em 7 a 7. O voto de desempate, que definiu a cassação, foi dado pelo presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP). Constrangido, ele disse se tratar do “momento mais penoso e difícil” de sua vida pública, mas que optou por acompanhar o relator “pelo trabalho minucioso que foi feito”. A exemplo do dia anterior, a sessão novamente foi tensa, marcada por um bate-boca entre o relator do processo, Nelson Trad (PMDB-MS), e o líder do PFL na Casa, Rodrigo Maia (RJ).

A discussão começou porque Trad exigia o direito à réplica após discursos em defesa de Brant. “Vossa excelência que vá mandar na sua bancada, aqui sua voz é pífia”, disse, em resposta a uma intervenção de Maia. “Vossa excelência está extrapolando, não é melhor do que ninguém”, reagiu o líder pefelista. Brant foi o último a falar. Acusado de ser o destinatário de R$ 102 mil do “valerioduto”, disse que “nenhum acordo partidário lava a sua honra, mas sim o voto de homens livres”. “É claro que piorei como político, mas melhorei como homem”, disse ele, que admite ter recebido o dinheiro, mas como doação não-declarada de campanha.

Concluída a votação, afirmou sorrindo “sentir gosto de vitória” no placar apertado e disse estar confiante que “o plenário lhe prestará uma homenagem”. A avaliação dos deputados que defenderam Brant é que o placar ajudará na costura de apoio para reverter a decisão no plenário - como não recorrerá, ele deverá ser o primeiro a ser julgado. “A qualidade dos votos que recebeu o engrandece para ir ao plenário”, disse José Carlos Aleluia (PFL-BA), líder da oposição.

Nos corredores, alguns membros do conselho afirmaram que o significativo número de votos pela absolvição de Brant se repetiria com Luizinho nas horas seguintes e sinalizava um “acordão” envolvendo PFL, PT, PSDB e PP para salvar os dois ou no conselho ou no plenário. Dos sete votos a favor de Brant, três foram do PFL, dois do PSDB, um do PP e um do PT. Na seqüência, cinco dos sete deputados que votaram pela absolvição do pefelista repetiram o voto em favor de Luizinho.

O parecer pela cassação de Luizinho, de autoria de Pedro Canedo, foi aprovado por 9 votos a 5. O petista é acusado de ser beneficiário de R$ 20 mil do esquema de Marcos Valério. O advogado Márcio Silva, que defende Luizinho, disse que recorrerá da decisão à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o que retardará o desfecho do processo em algumas semanas.

“Confio em cada deputado que irá analisar o processo a partir das provas e não tenho dúvida que serei inocentado (no plenário). Não admito nem nunca vou admitir querer me envolver em algo que não participei”, disse o petista. A próxima votação é a do processo contra o presidente do PP, Pedro Corrêa (PE), na próxima terça-feira.

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