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Palocci nega denúncias e defende colaboradores

Por Hudson Corrêa, Luiz Francisco e Rubens Valente | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - Poupado de forma geral de perguntas mais incisivas e elogiado por oito dos 17 senadores que se manifestaram na CPI dos Bingos, o ministro Antônio Palocci (Fazenda) passou seu depoimento de seis horas na comissão, ontem, defendendo antigos e atuais colaboradores nas suas gestões na Prefeitura de Ribeirão Preto e no Ministério da Fazenda. Palocci procurou minimizar todas as investigações conduzidas pelo Ministério Público, as notícias da imprensa e o relatório parcial da CPI dos Bingos que acusam pessoas com quem manteve ou mantém ligações de amizade e de trabalho.

O ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, disse que Palocci teve um desempenho “absolutamente tranqüilo” e “muito seguro”. A assessores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também avaliou que Palocci foi bem na CPI. “O Lídio não foi julgado, não vamos prejulgar as pessoas”, disse Palocci, por exemplo, a respeito de Lídio Duarte, ex-presidente do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), que revelou à revista “Veja”, em conversa gravada, um suposto esquema de propinas para o PTB.

Palocci fez elogios ao seu ex-chefe-de-gabinete Juscelino Dourado, que deixou o cargo em setembro após a revelação de que foi sócio e mantinha contatos telefônicos freqüentes com Rogério Tadeu Buratti, acusado de pedir propina, em nome do PT, para a multinacional de loterias GTech renovar seu contrato com a Caixa Econômica Federal. Buratti foi secretário de Governo de Palocci em 1993.

“O Juscelino não foi demitido. Ele não se deu bem com o ambiente (de suspeição). É uma pessoa dedicada à administração pública. É uma pessoa muito trabalhadora”, afirmou o ministro. Palocci defendeu também Ademirson Ariovaldo da Silva, seu assessor especial no ministério, a quem o relatório parcial da CPI acusou de participar das atividades de lobby de Rogério Buratti também no caso GTech.

O ministro questionou o relatório da CPI que apontou 1.411 ligações telefônicas entre Ademirson e outro envolvido no escândalo da GTech, Vladimir Poleto, que foi chefe de controle interno da Prefeitura de Ribeirão na segunda gestão de Palocci, em 2001. “Não estou dizendo que os números são mentirosos, mas parece que fazer 15 ligações em 39 segundos é fisicamente inconsistente”, afirmou. “Ele (Ademirson) me disse, numa conversa no meu gabinete, que estranhou isso [o número]. Disse que de 50% a 60% das ligações relatadas pela CPI não ocorreram como conversas, mas tentativas. Havia algumas ligações”, acrescentou o ministro.

Mais tarde, o senador Demóstenes Torres (PFL-GO) disse que Ademirson havia passado documentos errados ao ministro, e entregou uma cópia de um levantamento da CPI. “Não há nenhuma ligação duplicada. Acho que ele (Ademirson) lhe fez passar vergonha”, disse o senador. O relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou que ainda não dá para dizer se Palocci será citado no relatório final. “Algumas coisas ele explicou, mas outras ele deixou nebulosas”, disse.

Os pefelistas César Borges (BA) e Agripino Maia (RN), os tucanos Antero Paes de Barros (MT) e Álvaro Dias (PR), além da senadora Heloísa Helena (Psol-AL), fizeram questionamentos mais duro ao ministro. “Estou convencida de que o senhor está mentindo o tempo todo”, disse Heloísa Helena sobre a ligação do ministro com Buratti. Palocci negava, ao ser questionado pela senadora, que ainda tivesse contatos freqüentes com seu ex-assessor, demitido em 1993 por suspeita de corrupção.

Em depoimento à CPI em agosto, Buratti disse que a prefeitura de Ribeirão Preto recebia R$ 50 mil por mês em propina e o dinheiro dia para o PT em 2001 e 2002, com o conhecimento de Palocci, então no seu segundo mandato de prefeito. Buratti também é suspeito de tráfico de influência no ministério. Logo após a pergunta da senadora, Palocci foi ao banheiro. Após três minutos, retornou e disse: “A senhora pode chamar de amizade, mas ficou bem distante do que era (o relacionamento após a demissão). Desde que sou ministro, ele veio uma vez na minha casa com a família”, afirmou.

Por duas vezes, Palocci não respondeu diretamente ao ser perguntado por senadores tucanos “se Buratti era mentiroso” ao ter feito as acusações de corrupção. “Não é verdade”, respondeu o ministro. “Então ele é mentiroso?”, questionaram. “Eu não quero me pronunciar dessa forma”, rebateu Palocci.

Na lista de defesa do ministro também esteve o motorista Éder Eustáquio Soares Macedo, suspeito de transportar até US$ 3 milhões de um aeroporto em Campinas (SP) ao comitê eleitoral do PT em São Paulo no dia 31 de julho de 2002. “Ele é uma pessoa bondosa, muito simples, humilde, religioso, prestativo. No final vocês vão que ele não tem haver com isso”, afirmou.

Desde maio, Macedo é motorista do Ministério da Fazenda no Rio. Diz ter sido indicado para o cargo por Ademirson, assessor de Palocci. Isabel Bordini, ex-assessora do então prefeito em 2001, acusada de alterar planilhas de varrição para beneficiar a empresa Leão & Leão que pagaria propina ao PT, também foi defendida. “Estou absolutamente tranqüilo da conduta dela”, disse o ministro.

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