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Instituto Branemark vai começar implante dentário em um mês

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Inaugurado no final de outubro e já com uma lista de mais de quatro mil pessoas de todo o Brasil à espera de implantes dentários e facial, o Instituto Branemark recebeu, anteontem, alvará da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para funcionar. Pronunciando poucas palavras em português, o próprio fundador do instituto, o ortopedista sueco Per-Ingvar Branemark, anunciou ontem que os primeiros pacientes começarão a ser chamados em dez dias. A previsão é iniciar a realização de implantes em um mês.

A professora Maria Auxiliadora Magalhães Silva, 41 anos, que sonha fazer implante dentário, comemorou a notícia. Moradora de Bom Jardim, em Goiás, conta que, quando era criança, vivia na zona rural e não tinha atendimento odontológico adequado. Por causa de um problema sério de cárie, acabou tendo de arrancar seis dentes quando tornou-se adulta. Desde então, passou a usar prótese.

Ela relata que já passou por constrangimentos, como a prótese ter se soltado durante o almoço ou não conseguir mastigar alguns alimentos. Hoje, a sua prioridade é a saúde. “Com o implante, poderei mastigar melhor, fazer higienização nos dentes e usar o fio dental”, conta.

O instituto, segundo Branemark, começará a convocar os pacientes inscritos para fazer os implantes dentários. Posteriormente, o atendimento será estendido a pacientes com defeitos faciais ou ausência de partes do rosto, como olhos, nariz e orelhas. Pacientes que necessitam de implantes de outras partes do corpo, como mãos e pés, também serão atendidos pelo instituto, mas futuramente.

Durante entrevista ao JC, Branemark contou que o primeiro paciente que ele fez implante morreu na semana passada. Mas, antes, o paciente confidenciou ao médico sueco que ‘sua vida mudou depois da cirurgia’. Branemark trabalha há 40 anos com a técnica de osseointegração, utilizando próteses com ligamento de titânio.

Neste tempo, esteve em contato com pacientes que não tinham vida social, sofriam de baixa-estima e até depressão devido à aparência. “São pessoas que sentem-se excluídas do convício social e que, após conseguirem a prótese, nascem pela segunda vez”, diz o médico. Alguns dos pacientes tiveram câncer, sofreram acidentes ou até mesmo nasceram com deficiências.

Outra paciente atendida por Branemark não conseguia contar para o marido que usava dentadura, por vergonha. Durante anos, conseguiu esconder o problema. “O que parece comum para as pessoas que têm os dentes perfeitos, é motivo de angústia para outros que usam dentadura ou não têm dinheiro para pagar um tratamento dentário”, solidariza-se.

Morando em Cuiabá (MG), Themistoklis Sarris espera ser um dos pacientes que serão chamados para tratamento no Instituto Branemark. Ele fez inscrição no final do ano passado. Os familiares sabem de seu problema - em um acidente automobilístico, quando ainda era criança, acabou perdendo todos os dentes superiores e inferiores.

Mas o preço do implante dentário, cerca de R$ 15 mil, não pode ser pago por ele nem pelos familiares. “Já senti constrangimento. Hoje, aos 52 anos, ainda encaro o implante como um sonho que quero realizar”, conta.

Pelo menos 80% dos atendimentos no Instituto Branemark serão gratuitos, conforme prevê a lei municipal 5.174 de agosto de 2004, que definiu a doação da área onde foi construído o prédio da entidade. O custo dos procedimentos varia entre R$ 1 mil e R$ 20 mil, de acordo com cada caso, que serão bancados por doações.

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Técnica

O Instituto Branemark iniciou trajetória para transformar Bauru em referência no tratamento que inclui implantes odontológicos e recuperação facial e de outras partes do corpo com a técnica da osseointegração.

No início de fevereiro, médicos de todo o Brasil serão convidados a participar de uma reunião para conheceram a técnica utilizada nos implantes e aplicarem-na nas cidades de origem, como multiplicadores. “Desta maneira, mais pessoas poderão ser atendidas”, explica o cirurgião e vice-diretor do Instituto Branemark, Antônio Assunção.

A aplicação da técnica na área odontológica e médica foi iniciada há 40 anos pelo ortopedista sueco Per-Ingvar Branemark que, agora, pretende tornar Bauru um centro irradiador da tecnologia da osseointegração.

Na cidade já existe, desde 1999, um centro internacional (Associated Branemark Osseointegration Center Bauru), que compõe uma rede de nove centros internacionais da osseointegração.

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