Tribuna do Leitor

Hoje não, obrigado!


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Balas de coco, massas caseiras, pudins e tortas doces, esses são alguns dos muitos produtos oferecidos diariamente na porta da minha e de muitas outras casas. São produtos de primeira qualidade, feitos por pais e mães de família na sua maioria desempregados, que desistiram da cansativa rotina de entrega de currículos em vão. Muitos desses vendedores tiveram, em um passado recente, cargos importantes em empresas de destaque na cidade, mas o constante enxugamento da folha de pagamento acabou deixando-os fora do cargo. Agora, seguem a pé, de casa em casa, em busca do sustento da família. Nessa batalha as surpresas são muitas, desde o bom humor de fregueses fiéis, até o desrespeito daqueles que não acham direito ser incomodados por ambulantes. Na maioria das vezes a reação dos munícipes é a mesma, nem mesmo ouvem o que o vendedor oferecem e logo soltam à frase - “Hoje não, obrigado”; muitas vezes dispensam produtos que realmente precisam, mas a pressa em dispensar os vendedores de rua não deixa sequer o nome do produto chegar aos ouvidos do dono da casa.

E assim como os supermercados e shoppings, o “comércio andarilho” cada vez atrai mais setores, agora, além dos produtos alimentícios são oferecidos também detergentes e vassouras caseiras, toalhas de crochê, entre outros, isso sem falar nas pessoas que não estão vendendo nenhum produto e sim um serviço.

- Quer que corte a árvore?

- Ta precisando concertar panelas? Também amolo facas? Tanto faz a frase dita, a resposta é sempre

- “Hoje não, obrigado”. Frase pesada. Cada vez a repito com mais freqüência. Me dá um nó na garganta!

É fácil identificar o problema. Mas é preciso solucioná-lo. Tenho andado por aí pedindo ajuda, encontro pessoas poderosas e lanço a proposta de nos unirmos e montarmos uma maneira de unir esses vendedores em um único local, criar uma associação, tirá-los do sol, do desconforto de ter que atrapalhar o sono da tarde de alguns moradores. Me animo, chego até a encontrar pessoas interessadas em me ajudar, políticos, comerciantes, presidentes de associações, pessoas que se dizem engajadas em lutar pelo progresso de nossa Bauru. Mas quando as convido para uma reunião para aprimorar a idéia e tirá-la do papel, ouço uma velha e enojada resposta: - Hoje não, obrigado! (Juliano Dip Lencioni)

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