Bairros

Vias de acesso atraem empresários

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 3 min

O sonho de muitas pessoas é abrir negócio próprio. No entanto, grande parte dos pequenos empresários acaba falindo logo nos primeiros anos. São diversas as razões para um negócio não dar certo: falta de planejamento financeiro, atendimento ruim, ausência de faro para negócios. Mas um dos fatores determinantes é a localização. Para um micro ou pequeno empresário não é fácil conseguir se instalar em um local de grande movimentação, pois o valor do imóvel é geralmente mais caro. “Os valores dos imóveis seguem a lei da oferta e da procura. Quanto mais pessoas interessadas, mais caro. E as avenidas e ruas de acesso agregam valor, principalmente quando voltadas para atividades comerciais”, explica Antônio Elias Ferreira, proprietário de imobiliária.

Ele explica que as empresas do ramo em que atua estão concentradas no bairro Altos da Cidade, principalmente na rua Antônio Alves e na avenida Getúlio Vargas. Apenas na rua Antônio Alves, a reportagem do JC contou 13 imobiliárias. Segundo o chefe do Departamento de Arquitetura da Universidade Estadual Paulista, José Xaides de Sampaio Alves, o bairro concentra empresas do ramo imobiliário porque lá estão as pessoas de maior poder aquisitivo e, consequentemente, que têm maiores possibilidades de vender e comprar imóveis.

“A região do Altos da Cidade tem boutiques caras, lojas de móveis, restaurantes, etc. Financeiramente é a região mais valorizada da cidade, pois proporciona boa exposição para quem trabalha com comércio”, salienta.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, comenta que as clínicas médicas também têm migrado para o Altos da Cidade nos últimos anos. “As clínicas já estiveram mais concentradas próximas ao Hospital de Base e Beneficência Portuguesa. Hoje, estão no Altos da Cidade. Isso porque os profissionais da área de saúde buscam o status da região para valorizar o atendimento”, diz.

Avenida mais movimentada de Bauru, a Nações Unidas agrupa diversas lojas de venda de carros e motos novos e usados. Há alguns anos, estes estabelecimentos estavam concentrados na avenida Rodrigues Alves, mas com a construção da Nações Unidas, comerciantes migraram para a avenida que garante melhor exposição, de acordo com especialistas.

“Quando me instalei na Nações, há oito anos, haviam poucas lojas de carro. Aos poucos elas foram vindo e hoje a avenida é referência em vendas de automóveis”, comenta o empresário José Fernando Delazari. Segundo ele, a concentração de lojas do setor facilita para o consumidor.

“Para o consumidor que já tem um objetivo de compra fica mais fácil procurar e fazer uma pesquisa de preços e condições de pagamento em um corredor comercial que concentra lojas de um mesmo tipo de produto. Se o comerciante está fora deste corredor, ele acaba sendo prejudicado, pois fica mais difícil ganhar visibilidade”, reforça Carvalho.

Visibilidade foi justamente o fator determinante para que o empresário Rodrigo Bonassi montasse sua loja de locação e manutenção de empilhadeiras, pás-carregadeiras e guindastes na avenida Nuno de Assis. Conhecida como corredor comercial de autopeças e maquinário pesado, a avenida é constituída praticamente de estabelecimentos comerciais que atuam neste ramo. Bonassi se instalou na Nuno de Assis há dois anos e meio, e já colhe os frutos da segmentação. “Aluguei um galpão ao lado da minha loja para trabalhar com funilaria e pintura, pois surgem muitas pessoas requisitando este tipo de serviço por aqui”, explica. Por conta da procura dos clientes, ele também passou a vender óleos e materiais para automóveis, expandindo suas atividades comerciais e o lucro.

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