Assim como a concentração de estabelecimentos comerciais favorece empresários e consumidores, a migração de um ou outro comerciante para outro local pode desaquecer o movimento de determinada região e extinguir um corredor de negócios. É exatamente esta a situação vivenciada por moradores da Vila Independência, especialmente na rua Felicíssimo Antônio Pereira.
Via de acesso para os bairros Vila São Francisco, Vila Santista, Jardim Eugênia, Jardim Solange e Jardim Terra Branca, a rua costumava ser movimentada há alguns anos. Mercados, oficinas e bares faziam parte do cenário comercial do bairro. Até que o maior mercado da região fechou. “A partir daí o movimento caiu, outras lojas foram fechando e hoje está assim: bem devagar”, explica Nicolas Manzini de Sousa, gerente de uma papelaria instalada na Felicíssimo há seis anos.
Hoje, portas fechadas são comuns na rua. Em quase todos os quarteirões é possível encontrar placas anunciando o aluguel ou venda de imóveis. O manobrista Aparecido Ferreira, que mora na Vila Independência há quatro anos, diz que a situação do comércio na região nunca esteve pior. “Aqui falta de tudo um pouco, mas as lojas fechadas prejudicam demais os moradores. Além de desvalorizar o bairro”.
“Muitos comerciantes mudaram para a avenida Castelo Branco ou para perto da avenida. Acho que tem mais movimento por lá”, comenta a dona-de-casa Laurinda Ribeiro, que reside há sete anos no bairro.
De acordo com chefe do Departamento de Arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Xaides de Sampaio Alves, os corredores comerciais se formam e se fortalecem com mais facilidade quando localizados próximos a vias de acesso. No caso da Vila Independência, a proximidade de uma avenida pode ter atrapalhado o desenvolvimento comercial de outras vias menores, como a rua Felicíssimo Antônio Pereira.