A pinga que dá origem à Uma, seu nome de batismo, não é produzida no município, mas o diferencial é feito em Torrinha, explica um dos proprietários do armazém Casa Perlatti, que comercializa o produto e outras cachaças aromatizadas.
José Luiz Perlatti explica que a cachaça é comprada pronta de um alambique de boa qualidade. “Aqui, ela passa pelo processo de ser destilada duas vezes. Processo que a torna uma bebida bidestilada. Isso a torna mais pura.”
Já na qualidade de pura, a pinga é colocada em tonéis de carvalho, onde fica por um tempo, envelhecendo, até atingir os 43º. “É a única cachaça de Torrinha.”
A cachaça, que traz o mapa do Estado de São Paulo indicando a cidade de Torrinha no rótulo, é um dos produtos que vão fazer parte do roteiro turístico da cidade.
A “branquinha” é comercializada em um armazém localizado na entrada da cidade. Fundado em 1940 pela família Perlatti, ele conserva os balcões de madeira e mercadorias que mostram o contraste entre a antiga Torrinha do auge do café e a nova que está nascendo.
Na “venda” com piso de ladrilho hidráulico da década de 40, há torrador de café manual, chapéu e canivete que remetem ao antigo, porém atual, já que parte da população ainda vive no campo. Por outro lado, o velho armazém serve, no balcão, tintas e materiais de construção que acompanham as tendências atuais.
Sabor de madeira
A mesma cachaça que dá origem a bidestilada é a matéria-prima para Perlatti produzir as pingas aromatizadas. As artesanais recebem aromas de madeiras, das mais diversas possíveis.
A casca da árvore de mamica de cadela, por exemplo, dá um sabor adocicado à cachaça. A casca do bálsamo suaviza o sabor. As mais conhecidas são sasafras, vergatesa e quina.
Mosteiro e chocolate
O Mosteiro da Comunidade São José fica no bairro Paraíso. Durante todo o ano, os religiosos trabalham com chocolate, confeccionando bombons, bolos e pirulitos. Na páscoa, fabricam ovos de chocolate.
A comunidade realiza festas religiosas que se tornaram famosas e tradicionais naquela região, segundo a Secretaria de Turismo da cidade. A missa do cio da terra, realizada em novembro, a tradicional folia de reis e a festa de Nossa Senhora das Candeias são alguns eventos que atraem inúmeros turistas.
Flores para a região
Um orquidário localizado na cidade de Torrinha é o responsável pela distribuição de, pelo menos, 400 vasos na região, por mês. As flores cultivadas em estufas são de oito tipos diferentes.
No total, são 20 mil mudas sendo cultivadas no orquidário que comercializa as flores na floricultura da cidade e de Brotas, Piracicaba e Jaú. Cristiano Campanha, um dos proprietários, lembra que há quatro anos a família resolveu investir nesse tipo de produto e o resultado tem sido satisfatório.
Em Torrinha, há duas destilarias que extraem óleos essenciais. Uma faz a extração do óleo de eucalipto, usado como fixador de perfumes. A outra, óleo de candeia, usado em produtos de higiene pessoal.
O óleo essencial de eucalipto citriodora é o componente principal do fixador de perfumes. Usado em pequenas quantidades, ele é o diferencial dos perfumes importados.
O mercado externo é o alvo das destilarias que comercializam óleos para os Estados Unidos, Alemanha, Suíça, Austrália e Espanha. No Brasil, a essência de eucalipto é usada para a confeccção de desinfetantes e aromatizantes.
Roteiros
Apesar dos esforços dos moradores e pessoas interessadas, Torrinha, que pretende decolar no ecoturismo, ainda não tem uma agência especializada. A única que operou na cidade fechou. Uma agência de Brotas, segundo a Secretaria de Turismo, montará uma operadora no porão da Casa de Observação da Estação Ferroviária.
O acordo firmado com a secretaria prevê que a agência não pagará aluguel pelo espaço e, em contrapartida, ajudará a elaborar os roteiros para o desenvolvimento do projeto. “Hoje, nós temos as belezas naturais, porém não temos o produto para oferecer para as agências. Em conseqüência, não conseguimos vender.”