O carnaval é a maior festa popular do Brasil e, em Torrinha, a tradição já contabiliza 70 anos. Como a cidade cresceu em torno da Estação de Santa Maria (nome da serra existente no local), da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, a folia acontecia a partir da chegada do trem trazendo o Rei Momo.
Para concretizar a estratégia, uma pessoa da cidade vestia-se de Rei Momo e de carro ia até a estação de Canela retornando a Torrinha de trem. A chegada recheada do glamour dos anos 30 era o “start” da festa. Uma multidão de foliões acompanhava o cortejo pelas ruas da cidade.
A festa, nos anos posteriores, ganhou mais força com a “invenção” de um grupo de jovens: os bonecos gigantes, que se tornaram marca registrada da festa de momo em Torrinha. Só mais uma cidade do Vale do Paraíba é que realiza a folia usando os tais bonecos.
O primeiro boneco gigante era negro com braços e pescoço que se mexiam. O grupo confeccionou ainda três vaquinhas e apareceram de surpresa na Estação para receber o Rei Momo. A população gostou da idéia e, ao invés de acompanhar o rei da festa, passou a seguir os animais.
A adesão aos bonecos e às vaquinhas quase que obrigou os jovens a inovar no ano seguinte e assim nasceu o casal de bonecos negros, batizados de Marião e Mariona, o pierrô, um pássaro de cinco metros de altura, vaquinhas, cavalinhos e um ônibus de papelão, chamado carinhosamente de “Expresso Vagaroso”.
O acompanhamento musical ficou por conta de uma equipe que tocava violão, cavaquinho, sanfona, clarinete, viola e pandeiro. O detalhe era o toque do berrante que dava o início à parte musical. Segundo a secretária de turismo, Cibele Zanforlin, na época, um toureiro saía toureando as vacas e cavalos pela cidade e os foliões mascarados atrás.
De acordo com ela, há cinco anos, com o apoio do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), a cidade está resgatando a tradição. “A abertura do carnaval é feita por um grupo de sanfoneiro, um resgate à história.”
Os bonecos gigantes continuam participando da folia de momo. “Fizemos uma reeleitura dos bonecos, usando outros materiais e técnicas de confecções. Nas ruas da cidade são apresentados, durante o carnaval, duas épocas com a mesma tradição, representando um Carnaval típico de Torrinha, genuinamente caipira.”