Esportes

Paixão que corre nas veias

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 4 min

Quando o Noroeste disputava o quadrangular final da Série A-2 do futebol paulista, nascia a mais respeitada torcida organizada do Esporte Clube Noroeste, a Sangue Rubro. Criada a partir de um racha entre a diretoria da extinta Dragões Vermelhos, a atual torcida organizada do Norusca foi fundada em 13 de dezembro de 1986.

No passado a Sangue Rubro chegou à marca de 500 integrantes, mas hoje não passa de 200. Com a ascensão do time à elite do futebol paulista e à Copa do Brasil, o número de integrantes tem acompanhado a evolução do time e vem crescendo substancialmente. Na início da década de 90 o time bauruense chegou a ter quatro torcidas organizadas, entretanto, apenas a Sangue Rubro existe até hoje.

Apaixonado pelo Noroeste, o assessor parlamentar José Roberto Pavanello Silva aos 51 anos é presidente da Sangue Rubro há 17, dos 19 de existência da torcida. Em entrevista ao JC, Pavanello falou das dificuldades de dirigir uma torcida organizada e da paixão que corre em suas veias.

Com pouca estrutura, mas paixão em excesso, Pavanello conseguiu manter viva a chama da torcida que acompanha o Noroeste não só nos bons momentos, mas também quando o Alvirrubro freqüentava divisões intermediárias do futebol.

Hoje, no site oficial da Sangue Rubro, um pequeno editorial revela o significado da torcida vermelha e branca:

“Sem meias palavras, o que interessa é coração, a união, a alegria como forma de gratidão. Não queremos desordem, bagunça, ou alguma falta de respeito; apenas o entendimento das razões de sermos um torcedor sangue rubro, então, incapazes de cometer falhas abomináveis, desumanas, por falsos torcedores, e sim levar a campo tudo aquilo que o nosso time mais precisa... Apoio, coração... Torcida Sangue Rubro, sempre, sempre, uma paixão Sem Limites!!”

No ano passado a Sangue Rubro conquistou um “troféu” há muito tempo esperado: o bandeirão. Com 16m x 30m de comprimento e uma área de 485 metros quadrados, o bandeirão tem o escudo do time ao lado do símbolo da torcida. Pavanello preferiu não revelar o valor, mas afirmou: “Foi com muito suor que conseguimos confeccionar nosso bandeirão. Hoje, a criançada vê o bandeirão e faz uma festa, entra em baixo, ajuda a puxar, e isso é gratificante.”

Pavanello afirma que abdicou de muitas coisas em sua vida para se dedicar ao amor pelo Noroeste. “Em toda minha vida tive mais prejuízo do que benefício. Mas faço isso por amor ao time.”

A Sangue Rubro ainda possui uma ala feminina, que foge do mito de que torcer para time de futebol é coisa para homem. “A mulher que entra para a nossa torcida tem todo o nosso respeito. Com isso elas perdem o medo de ir ao estádio”, ressaltou Pavanelo.

Para o gerente comercial e diretor da torcida, Renato Neves, de 33 anos, acompanhar o Noroeste é uma questão de amor. Renato afirma que ao casar afirmou para a esposa que nunca deixaria de seguir o Noroeste. “Quando conheci minha esposa, logo avisei: - Sou noroestino roxo.”

Renato conta que seu filho caminha para o mesmo sentido. “Ultimamente meu filho prefere ir comigo ao Alfredo de Castilho assistir ao Noroeste do que ir na piscina do Bauru Tênis Clube com minha esposa”, revelou.

O torcedor, que integra a Sangue Rubro paga uma mensalidade no valor de R$ 10 e tem o direito a uma carteirinha de sócio e aos descontos em produtos personalizados da Sangue Rubro.

Em dia de jogo cada integrante tem uma função dentro da torcida. “Tudo é pré-definido. Um vai colocar a faixa no alambreado, o outro vai ajudar a carregar o bandeirão e por aí vai. Somos um grupo que trabalha por amor ao time”, afirmou Pavanello.

O presidente ainda revelou que dentro da Sangue Rubro existe um trabalho social. Os torcedores se ajudam quando algum passa por dificuldades. “Aqui somos todos amigos, uma verdadeira família. Quando um de nós tem alguma dificuldade, cada um ajuda da maneira que pode. A Sangue Rubro dá um jeito de ajudar, alguém doa uma cesta básica e ninguém sai prejudicado.”

A Sangue Rubro viaja atrás do time em todos os jogos realizados fora de Bauru. Até hoje a viagem mais longa que a torcida já realizou foi para o Rio de Janeiro. “Fomos de ônibus, foi uma viagem muito cansativa, mas o pessoal adorou. Teve caipira que levou até prancha para surfar em Copacabana”, brincou.

Agora com o time na Copa do Brasil os jogos do Noroeste serão mais longe e a viagem de ônibus fica inviável. “Vai ser difícil a torcida acompanhar o time em viagens longas, mas pode ter certeza que algum representante a gente manda para acompanhar o Noroeste”, revelou o presidente.

O noroestino roxo que quiser filiar-se à torcida Sangue Rubro pode fazer a inscrição on-line através do site: www.sanguerubro.com.br. Ou mandar um e-mail para pavanoroeste@yahoo.com.br, se quiser mais informações.

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