Com seus últimos delegado e coordenador fora de cena, a Delegacia Regional de Cultura e a Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes, ambas ligadas à Secretaria de Estado da Cultura e que funcionam no prédio na rua Amazonas, enfrentam um início de ano turbulento especialmente em virtude da falta de ações ou projetos definidos para os próximos meses. Em um cenário de muitas dúvidas, a razão para as críticas é a expectativa quanto aos nomes que assumirão os órgãos e também à programação para o semestre, completamente indefinida até o momento.
Ao mesmo tempo, a classe artística da cidade começa um movimento para exigir mudanças nas atividades e ações e ainda na escolha dos futuros diretores dos órgãos, que já têm nomes sendo apontados, apesar da não-confirmação da secretaria. O delegado regional de Cultura, Rubens de Souza, ligado ao PPS, está afastado por licença médica, enquanto o antigo coordenador da Oficina Cultural, Marcelo Grazziani, pediu demissão em dezembro do ano passado em razão de denúncia de irregularidades em sua gestão. Em seu lugar, assumiu interinamente Gerson Teixeira Fontes, que coordenava a unidade de Iguape. No entanto, ele não vem à Oficina desde o final de dezembro.
De acordo com o diretor executivo da Associação Amigos das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo (Assaoc), Pedro José Braz, o nome do novo coordenador da unidade regional de Bauru deve ser divulgado na próxima quarta-feira. Não há informações da assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura quanto ao novo indicado para o cargo de delegado regional.
Braz informa que a programação das Oficinas Culturais para o primeiro semestre, que normalmente é elaborada a partir de dezembro, ainda não foi definida por conta da não-aprovação do orçamento estadual pela Assembléia Legislativa. “Teremos uma reunião geral com toda a rede de Oficinas nos dias 7, 8 e 9, já com a definição do calendário da programação. Em Bauru, mesmo com a especificidade da entrada de um novo coordenador, a perspectiva é de começar a operacionalizar a programação antes do Carnaval, com as atividades começando a partir da primeira quinzena de março”, garante.
Sobre a falta de definição e a demora na elaboração do calendário de atividades, em comparação com anos anteriores, Braz afirma que não haverá prejuízo para o público. “Em novembro, já fizemos um encontro com toda a rede, por três dias, para discussão das linhas de atuação na programação de 2006. Não elaboramos ainda a programação em razão da indefinição orçamentária”, reforça.
Uma das mudanças propostas para este ano seria a oferta de cursos, palestras e workshops para públicos diferenciados, ao contrário da realização de oficinas, especialmente para iniciantes, blocadas em três meses - tipo mais comum de atividade na programação da Oficina nos últimos anos. “Queremos que as Oficinas voltem a trabalhar com ciclos de debates e seminários, com a perspectiva de trabalho em rede entre elas. Colocamos na previsão orçamentária recursos para transporte e hospedagem, para aproveitar artistas e profissionais da região e da Capital nas Oficinas, assim como recursos para compra de material”, destaca Braz.
Ele frisa que Bauru não será prejudicada com a demora na indicação de um novo coordenador para a Oficina Glauco Pinto de Moraes. “Não será, de forma nenhuma. Até porque a dotação orçamentária está crescendo. Nossa perspectiva é de uma programação maior e mais diversificada em relação aos formatos das atividades oferecidas, incluindo o público mais experiente”, coloca. Não há informações do orçamento que a unidade regional terá para este semestre ou o ano. Em 2005, o total destinado aos cursos e oficinas da região, com 41 municípios, foi R$ 70 mil.
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A primeira do Estado
A Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes, batizada em homenagem ao artista plástico que trabalhava especialmente com a tradição ferroviária da região, foi a primeira unidade no Estado com caráter regional. Inaugurada em 1990, ela funcionou por seis anos na rua Rubens Arruda. Posteriormente, foi transferida para o grande prédio na quadra 1 da rua Amazonas. O imóvel também abriga a Delegacia Regional de Cultura, subordinada à Secretaria de Estado da Cultura.
Atualmente, a Oficina conta com salas de aula, laboratórios de fotografia e de serigrafia, auditório, sala para dança, teatro-galpão e espaço para exposições, além da sala com Internet gratuita para a população. O órgão oferece cursos, oficinas, palestras e atividades culturais, de formação e educação em programação semestral, subsidiada pelo Estado.