Apenas três semanas após o anúncio da terceirização da coleta de lixo, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) perde o controle sobre o serviço prestado na cidade. Os dejetos de pelo menos seis grandes bairros de Bauru até ontem não haviam sido recolhidos nem ao menos uma vez nesta semana. Com 35% da frota paralisada, mais uma vez a responsabilidade para o mau cheiro reclamado pela população é lançada sobre os veículos. Enquanto isso, funcionários do setor e a empresa se acusam.
Dos 14 caminhões disponíveis para coleta, cinco estavam parados ontem para manutenção. No entanto, não é este o único problema identificado pelo JC. Diante do iminente desemprego, grande parte dos funcionários perdeu o receio de faltar. Ontem, nove coletores e três motoristas não foram trabalhar, não abonaram nem apresentaram atestado médico. Ele formariam três equipes de coleta para atender regiões diferentes.
Conforme o JC apurou, os servidores estão desmotivados porque dão como certa a demissão coletiva, embora nenhuma informação oficial tenha partido da diretoria. A ausência de dados concretos seria fonte de especulações que provocam inquietações dentre a categoria. De acordo com o presidente da Emdurb, Renato Purini (PMDB), o contato será feito no momento correto, quando tudo estiver formatado.
No entanto, a diretoria tem recomendado tranqüilidade aos funcionários porque serão melhores as condições de trabalho dos servidores contratados pela empresa vencedora da licitação, após o processo de terceirização. A remuneração seria mais atrativa, contando com benefícios como plano de saúde e seguro.
Desconfiança
As afirmações de Purini, porém, vêm acompanhadas de desconfiança. Alguns funcionários ouvidos pelo JC atribuem à atual administração a responsabilidade pelo sucateamento da frota. Dizem que a autorização para manutenções banais demora a chegar. A estratégia seria manter os caminhões parados para precipitar a terceirização.
“Nós não precisamos criar uma situação. A situação está aí. Nós somos uma empresa falida e não é segredo para ninguém. A questão da terceirização é uma decisão administrativa. Nós não precisamos criar uma situação”, reitera Purini. Ele ainda rechaça boatos referentes à demora intencional na recuperação de caminhões. Algumas manutenções, argumenta, estão sendo feitas com urgência.
“O dia-a-dia é feito com a mesma agilidade que sempre foi feito. Não há demora na compra de peças. Ontem (anteontem) fundiu o motor de um caminhão. Temos que licitar, é caro. Isso demora mais tempo. Compras menores não. Agora você tem o hidráulico de uma caçamba coletora que quebrou. A peça é do Paraná. Eles vão enviar para cá. Enquanto não vier, nós vamos esperar”, explica.
Purini admite, contudo, que a situação piora a cada dia, pois com o passar do tempo, a frota envelhece. “Não é segredo para ninguém que assumimos uma empresa falida, com uma dívida e um passivo trabalhista monstruoso, com todos os seus veículos penhorados pela Justiça”, conclui. Os nomes dos funcionários ouvidos pela reportagem não foram publicados a pedido deles.