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Tristeza do general pára-quedista


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O Haiti é uma tragédia humana a ser evitada. País que primeiro fez sua independência nas Américas após os EUA, em 1804, sua ecomonia foi destruída pelos ex-escravos que imaginavam que ser homem livre era não se submeter a uma rotina estafante de trabalho na lavoura ou em qualquer outra atividade. Destruído, sem recursos, ele é o país mais pobre das Américas e um dos mais carentes do mundo.

Querendo um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, o Brasil cedeu às pressões dos EUA e mandou para lá tropas do exército que atuam como Tropas de Paz da Organização das Nações Unidas. O general Urano Bacellar, homem respeitado pela tropa e de reconhecida honradez assumiu o posto de comandante das forças brasileiras e presenciou o caos haitiano: desgaste entre a população civil e as forças de paz, miséria quase que absoluta da população, violência gratuita dos mais fortes contra os mais fracos, intolerância religiosa entre as religiões cristãs e as africanas e principalmente a insensibilidade da comunidade internacional quanto a sorte do povo haitiano, abandonado à própria sorte sem a ajuda prometida pela ONU e, em especial pelos países ricos. Por quanto tempo pode resistir à miséria absoluta todo um povo, explorado desde os primórdios da colonização?

Com certeza o general Urano Bacellar conhecia a dura realidade brasileira e sabia que a miséria é a pior inimiga e mina as resistências físicas e morais das pessoas. Mas não imaginou encontrar o próprio inferno terrestre de abandono, carências e pouco caso como no país caribenho.

Havia deixado claro sua insatisfação e indignação como homem e como militar faz pouco tempo, antes de sua morte, quando, em visita ao Brasil, através da imprensa declarava com um profundo ar de tristeza diante das câmaras de televisão que não conseguia entender como a ajuda humanitária, única forma de intervenção possível em casos de calamidades como a do Haiti e prometida pela comunidade internacional não chegava, aumentando o circulo infernal de carências e a sua tristeza e perplexidade.

Alegam e sempre alegarão os países ricos e aqueles organismos internacionais responsáveis pela ajuda humanitária em todo o mundo que para se auxiliar algum país necessitado é necessário um mínimo de “ordem e organização social” difícil de ser alcançada em momentos de esfacelamento humano como o que se encontra o Haiti e outras dezenas de países pelo mundo, privados de condições de existência e de ajuda.

Diante das cenas dantescas que continuou presenciando em solo haitiano e diante da sua impotência humana, o general pará-quedista morreu de tristeza, sabedor que os problemas do Haiti e dos desvalidos do mundo podem ser atacados e resolvidos se houvesse vontade interior dos países ricos e daqueles responsáveis pela “ajuda humanitária” pelo mundo.

O autor, Fábio Paride Pallotta, é professor de História em Bauru e colaborador da seção Opinião

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