São Paulo - Um porteiro de 26 anos foi preso ontem suspeito de ter chutado o andador da filha de 11 meses fazendo com que ele rolasse escada abaixo, no sobrado da família, no Pari (centro de São Paulo). Ele teria confessado e dito que costumava agredi-la, quando os dois estavam sozinhos. O bebê permanece internado em estado gravíssimo. Devido à queda, ele teve múltiplas fraturas e chegou a sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) que deixou parte de seu corpo paralisada.
O crime ocorreu na noite do último dia 19, logo após o pai ter ido buscar a criança na casa da babá, uma vizinha da família. Ele ficava sozinho com a filha durante aproximadamente duas horas até a chegada de sua mulher, uma recepcionista de 39 anos. De acordo com a Polícia Civil, ele confessou ter perdido a paciência com o choro da criança e chutado o andador em que ela estava, fazendo com que o aparelho e a menina rolassem escada abaixo, até o piso inferior da casa.
Quando a mãe chegou a menina já dormia, e o pai pediu que ela não fosse acordada, pois estava chorosa. Durante a madrugada, por volta das 3h, a mãe ouviu a filha respirar com dificuldade. Quando chegou ao quarto, ela percebeu que a menina estava desacordada, tinha os lábios arroxeados - devido à dificuldade em respirar - e apresentava hematomas na lateral da cabeça.
O bebê foi levado às pressas para um pronto-socorro da região e, depois, transferido para o hospital do Jabaquara (zona sul de São Paulo), onde segue internado em estado gravíssimo. Inicialmente, ainda segundo a Polícia Civil, o pai tentou culpar a babá pelas múltiplas lesões sofridas pela filha.
Porém, quando vizinhos testemunharam dizendo que a menina parecia bem quando foi retirada por ele da casa da vizinha, o pai confessou o crime. Ele foi indiciado por maus-tratos e omissão de socorro e transferido para um Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade.
Mortes por espancamento
Em Joinville (SC), uma criança de três anos morreu, na manhã de terça-feira, após sofrer agressões. A menina foi levada ao hospital no sábado. Na noite de domingo, após o médico constatar, por meio de um raio X, fraturas nas costelas, ela foi encaminhada à UTI. Em coma, não resistiu. “Ela tinha marcas de agressão nas costas e na barriga e ainda uma ruptura no duodeno. Teve uma infecção generalizada”, disse a delegada Marilisa Boehm.
A mãe e o padrasto afirmam que foi a babá quem cometeu o crime. Segundo Boehm, vizinhos disseram que nunca viram entrar uma empregada na casa. “Eles são pessoas carentes. Uma pessoa que não tem o que comer vai pagar uma babá?” Outras duas crianças, de 6 anos - filha do primeiro casamento da mãe - e 2 anos - legítima do casal - foram levadas a abrigos transitórios.
A delegada ainda investiga a história da babá -os pais sabem só o primeiro nome dela e dizem não ter contato ou endereço. Se não for comprovada, ela pedirá a prisão preventiva dos dois, por maus-tratos seguidos de morte, cuja pena varia de quatro a 12 anos de reclusão (com aumento de um terço por ser menor de idade).
Em Minas Gerais, uma menina de 1 ano e 6 meses morreu na madrugada de ontem em um pronto-socorro de Belo Horizonte (MG). Em seu corpo foram encontrados sinais de espancamento. A irmã dela, 5 anos, também foi achada ferida, na casa em que a família vivia. O suposto agressor está foragido.
Em depoimento, a mãe das meninas apontou seu namorado, identificado apenas pelo apelido de Carioca, como o agressor. De acordo com a Polícia Civil, a mãe chegou com a filha mais nova ao pronto-socorro de Venda Nova por volta da 0h. Os médicos, que notaram sinais de agressão no corpo da criança, notificaram a polícia.
Procurada, a mãe informou que deixara a filha mais velha com uma desconhecida. Quando os policiais chegaram à casa abandonada em que a família vivia, eles encontraram apenas a criança, de 5 anos, ferida. Ela também foi socorrida, mas não corre risco de morte.
Segundo o delegado Alcides Costa, que investiga o caso, a mãe das meninas disse que deixou as filhas com o namorado e saiu de casa anteontem, às 17h, em busca de emprego. Mais tarde, ela admitiria que fora comprar bebida em um bar da região. Quando voltou, ainda segundo Costa, ela disse ter encontrado as duas crianças feridas e decidido levar a menor, em estado aparentemente mais grave, ao hospital.
No final desta manhã, a Polícia Civil localizou um homem conhecido como Carioca e com características semelhantes às do acusado, mas ele não foi reconhecido pela mãe das meninas.
Maus-tratos
A babá Luciana dos Santos Pereira, 21 anos, foi presa nesta semana acusada por maus-tratos contra duas crianças em São Vicente, litoral sul de São Paulo. A vendedora ambulante Suzana Pereira Santos estava chegando do trabalho, na tarde de terça-feira, quando foi alertada por vizinhos de que seus filhos estariam apanhando da babá.
Ao entrar em casa, a mãe disse, em depoimento, que flagrou a babá sem roupas batendo nas crianças. Sem esperar a polícia, que foi acionada pelos vizinhos, ela avançou na babá e a agrediu.
Em depoimento à Delegacia de Defesa da Mulher de São Vicente, a babá disse que estava tomando banho quando o menino mais novo entrou no banheiro com a cabeça sangrando, dizendo que havia sido agredido pelo irmão. Os meninos, de 3 anos e 4 anos, foram internados com escoriações e mordidas por todo o corpo. Eles tiveram alta na quarta-feira e passam bem.
Ontem eles foram submetidos a exames no Instituto Médico Legal (IML). Segundo a delegada Carla Raccioppi Urso, Pereira negou ter mordido as crianças e afirmou que, até o momento em que foi pega no banheiro com elas, os meninos não apresentavam marca nenhuma. Santos conheceu Pereira na praia há cerca de 20 dias, por intermédio de uma conhecida em comum.
Na ocasião, a babá disse que não tinha onde morar, e a mãe das crianças lhe ofereceu moradia e o trabalho. Santos foi levada para a cadeia feminina de São Vicente. Ela não havia constituído advogado.