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Engenheiro portador de esquizofrenia é preso após tentar embarcar armado

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Depois de tentar embarcar armado num aeroporto, um engenheiro aposentado por esquizofrenia atira para o alto. Ele foge, destrói uma cancela no estacionamento, é perseguido pela polícia, toma um tiro de raspão e, após se entregar, afirma que não se lembra do ocorrido.

Sérgio Antônio Laignier Rodrigues, 42 anos, protagonizou a história acima na madrugada de ontem, que começou no aeroporto de Vitória (ES) e se estendeu até um posto de gasolina no município de Serra, na região metropolitana. Ele estava preso na carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF) na Capital capixaba, acusado formalmente de crimes de dano, disparo de arma de fogo em via pública, porte ilegal de arma e resistência à prisão. A pena máxima pode atingir oito anos.

De acordo com informações passadas pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Rodrigues foi barrado quando tentava embarcar num vôo de Vitória para Salvador (BA), depois de o detector de metais haver disparado. Pelo relato feito à reportagem, o engenheiro negou-se a passar pela revista e desistiu de embarcar.

Ao ser abordado por um funcionário da Infraero no saguão do aeroporto, ele sacou um revólver calibre 38, atirou para o alto e fugiu para o estacionamento. De lá, saiu no seu Gol em alta velocidade, destruindo uma cancela. A Polícia Militar foi acionada e começou a perseguição, que foi parar na rodovia BR-101, no sentido para o norte. Ele chegou a furar um bloqueio armado num posto da Polícia Rodoviária Federal, quando foi atingido de raspão no pescoço por um disparo feito por um policial. Logo depois, o engenheiro foi localizado com seu carro parado num posto na beira da estrada, em Serra (21 quilômetros da Capital), e se rendeu sem resistência.

O revólver não havia sido localizado até o início da noite de ontem, e o indiciamento por porte ilegal foi baseado nas declarações dos policiais e nas imagens do circuito interno do aeroporto. No depoimento que prestou na PF, Rodrigues afirmou que não se lembrava de quase nada do que havia acontecido. Pela sua versão, as últimas recordações são da viagem a passeio que fez de Aimorés (MG, na divisa com o ES) a Vitória, da compra da passagem para a Bahia e da rendição aos policiais.

A delegada responsável pelo caso, Andreia Vasconcelos Canal, disse que o engenheiro aparentou tranqüilidade durante o seu depoimento e que em alguns momentos dava a impressão de perder contato com a realidade. Segundo a delegada, nos objetos dele foi achado um cartão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) com o registro de aposentadoria por invalidez, justificada por esquizofrenia - transtorno mental tratável com medicamentos, que leva o seu portador a distorcer a realidade.

Um laudo enviado à PF por uma psiquiatra de Colatina (ES), que disse ter acompanhado a situação de Rodrigues por dois anos e meio, registra que ele é “portador de transtorno psiquiátrico há 12 anos”.

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