Brasília - O líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), indicou, mesmo admitindo não ter provas, que a oposição acredita que o PT e o governo Lula são os responsáveis pela divulgação da lista de suposto caixa dois com dinheiro de Furnas, que envolve 156 políticos entre eles caciques tucanos, como os presidenciáveis José Serra (prefeito de São Paulo) e Geraldo Alckmin (governador de São Paulo), além de lideranças pefelistas, que teriam sido beneficiados com um montante de R$ 40 milhões.
“Essa lista é um episódio de guerra. É natural que o partido em desespero (PT) resolva contra-atacar com as armas que tem”, afirmou Aleluia, cujo nome consta da listagem. “Este é um episódio de batalha política que se instala num governo comprovadamente corrupto”, acrescentou.
Aleluia disse que eram esperados ataques dos governistas depois que a oposição brigou no Congresso Nacional para criar e instalar as CPIs dos Correios, do Mensalão e dos Bingos. “Todos os que entraram nessa guerra de investigar, criar CPIs, e acharam que não haveria bala trocada se enganaram.”
O líder tentou desqualificar a lista. Lembrou que até o momento a Polícia Federal não recebeu os documentos originais e que o suposto autor do documento, o ex-diretor de Furnas Dimas Toledo, nega a autenticidade da lista. Mesmo assim, disse defender que a CPI dos Correios investigue o suposto caixa dois.
O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), respondeu de imediato. Disse não dar importância para a lista e declarou que o partido e o governo nada tem a ver com o suposto documento.
Os líderes dos partidos de oposição na Câmara cobraram ontem que a Polícia Federal identifique e responsabilize judicialmente o autor da “lista de Furnas”. Em ofício endereçado ao diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, o líder do PSDB, Alberto Goldman (SP), solicitou a apuração do caso, “considerando a inclusão indevida, e caluniosa do seu nome” na listagem publicada em um site na Internet.
O deputado José Carlos Aleluia afirmou que o líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ), telefonou ontem para o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e pediu que ele monitore as investigações da PF sobre a autenticidade da relação. Apesar de afirmar não ter provas de que a lista veio do PT, Aleluia disse se tratar de “um episódio de guerra”. “Vou entrar com processo, mas tenho que estudar com cuidado para não cometer os mesmos erros dos acusadores.”
Goldman aparece como beneficiário de R$ 150 mil do suposto caixa dois de Furnas. Aleluia figura como destinatário de R$ 75 mil, e Maia, de R$ 200 mil. A denúncia foi feita no final do ano passado, quando a lista foi revelada pelo lobista mineiro Nilton Monteiro. O papel leva a assinatura de Dimas Toledo, ex-diretor de engenharia de Furnas nos governos Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva - até meados do ano passado.
Toledo nega que a assinatura seja dele. Segundo a denúncia, Furnas centralizou os R$ 40 milhões, doados de 102 empresas privadas, estatais e fundos de pensão que têm relações com a companhia. O caso ganhou força nos últimos dias após o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) admitir à PF ter recebido R$ 75 mil do suposto esquema.
Na noite de ontem, o ex-dirigente de Furnas Dimas Toledo divulgou nota em que voltou a negar a autoria da lista.