A ampliação da oferta e a dificuldade do mercado consumidor em absorver a produção, aliadas à necessidade de os pontos-de-venda comercializarem a sobra do estoque do fim de ano, levaram à queda do preço do frango. Em Bauru, o produto ficou 36,7% mais barato, segundo constatou o Instituto de Pesquisas da Faculdade de Ciências Econômicas da cidade (Data-ITE). O quilo da ave está sendo comercializado desde janeiro a R$ 1,38, o equivalente a R$ 0,80 a menos que em dezembro. A tendência pode ser observada em toda a rede supermercadista do município, assim como é comum em, praticamente, todo o País.
Quem ganha e festeja com a baixa do preço são os consumidores. Para muitos, é a oportunidade de substituir a carne bovina, geralmente mais cara que a de frango. É o caso da feirante Joana de Souza Feliz, 44 anos. Na tarde de ontem, enchia sua cesta de compras num supermercado de Bauru com quatro peças inteiras do produto. “Vim, principalmente, para aproveitar o preço baixo. Não é sempre que o frango está tão acessível. Vou, inclusive, estocar um pouco no freezer”, justifica.
Para o economista e coordenador do Data-ITE, Reinaldo Cesar Cafeo, o barateamento do frango está diretamente relacionado com o volume oferecido no momento.
“Temos uma ampliação de oferta, a qual o mercado interno não é capaz de absorver. Também temos que levar em consideração que janeiro é um mês em que muita gente viaja. Em virtude disso, os produtores acabam jogando um preço mais baixo para manter um nível de vendas adequado”, explica o economista.
O gerente de supermercado Paulo Sanhches, considera que, no momento, existe mais disponibilidade do produto no mercado, porém ressalta que não é apenas o frango que está barato para o consumidor. Ele observa que o produto apenas acompanha o preço de outros itens básicos, como é o caso do arroz, da farinha de trigo, do feijão e da maioria que compõe a cesta básica de alimentos.
“É importante nos atentarmos sobre o fato de a cesta não ter apresentado inflação nos últimos seis meses. Mas é claro, há mais disponibilidade de frango hoje. De um lado a gente perde o valor agregado do produto, não tenha dúvida. Mas por outro, é importante, porque a gente incentiva o consumo. Para nós é positivo”, observa Sanhches.
O preço baixo do frango tem desagradado, principalmente, os fornecedores do produto, que já sentem os prejuízos e estimam mais perdas no decorrer do ano.
O gerente de vendas de um frigorífico de frangos da região, Marcelo Mazzi, diz que a empresa já contabiliza R$ 700 mil a menos no faturamento obtido no mês passado em comparação ao mesmo período de 2005. A receita baixou de R$ 10,1 milhões para R$ 9,4 milhões. Segundo ele, os números correspondem a um prejuízo de 9%, embora neste ano o volume do produto (4,7 toneladas) tenha superado em cerca de 20% o obtido em 2005 (4,1 toneladas).
Expectativa
Mazzi acredita que a situação também é favorecida pelas eleições que vão ocorrer neste ano, à estabilidade do preço de outros produtos da cesta básica e à própria febre aftosa.
“Não temos como subir o preço do frango se os outros itens da cesta básica não tiverem aumento. Temos que levar em consideração ainda que o preço baixo da cesta será uma das bandeiras do governo para que o presidente (Lula) tente a reeleição. O embargo à carne bovina, em razão da febre aftosa, também não ocorreu de forma isolada, atingiu o frango por tabela. Toneladas de aves, que deveriam ter sido exportadas, ficaram no mercado interno, que não tem tamanha capacidade de consumo”, completa o gerente.
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Carne vermelha
De acordo com o Data-ITE, que divulgou nessa semana o valor da cesta básica em janeiro, o preço da carne bovina, em contrapartida ao frango, teve acréscimo entre 7 e 10%. Nos supermercados e frigoríficos, o aumento é considerado inexpressivo.
“Foi uma alta pequena. A carne ainda está muito barata, tanto é que as vendas continuam aquecidas, ninguém deixou de comprar, pelo contrário”, comenta o gerente de supermercado Paulo Sanhches.
O gerente do frigorífico Mondelli, Rubens Vicente, também entende que o produto não foi reajustado significativamente. Ele considera que o preço pode aumentar caso os embargos no exterior não sejam suspensos.
“O mercado não está recebendo alta de preço. Portanto, o valor da carne está estável. Se vai continuar, vai depender da oferta, da demanda e da procura”, explica.
Para o economista Reinaldo Cafeo, a carne, de fato, sofreu aumento de 10%. Ele explica que, ao contrário do que se imaginava, muitos países, especialmente da América, voltaram a comprar do Brasil. “Alguns países da América do Sul, com menor exigência na questão sanitária, voltaram a adquirir carne brasileira, embora ainda exista restrição da China e de parte da Europa. Além disso, houve ainda o fechamento de muitos frigoríficos em razão da aftosa, o que fez a oferta do produto diminuir na região”, observa.